Clube tenta destravar parte da premiação do título enquanto negocia dívida da Neo Química Arena (Foto/José Manoel Idalgo/Ag Corinthians)
O Corinthians enfrenta um novo entrave fora de campo logo no início de 2026. Parte da premiação conquistada com o título da Copa do Brasil não chegou aos cofres do clube após uma retenção feita pela Caixa Econômica Federal, instituição credora do Timão.
Do valor líquido que o clube teria direito a receber pela conquista, cerca de metade ficou bloqueada pelo banco. A diretoria alvinegra entende que o dinheiro faz parte do orçamento da temporada passada e não deveria ser usado para compensar encargos financeiros com vencimento futuro.
À frente das negociações, o presidente Osmar Stábile mantém conversas diretas com a cúpula da Caixa na tentativa de liberar os recursos. Internamente, o clube trata o montante como essencial para organizar o fluxo de caixa do primeiro semestre e cumprir compromissos já assumidos.
A Caixa, por sua vez, se apoia em cláusulas contratuais firmadas na renegociação da dívida relacionada à Neo Química Arena. Nesse acordo, o Corinthians ofereceu diferentes fontes de receita como garantia, permitindo ao banco reter valores sempre que considerar necessário para proteger o contrato.
A dívida total ligada ao estádio ultrapassa a casa das centenas de milhões de reais e segue como um dos principais desafios da gestão. Mesmo após acordos anteriores, o tema volta ao centro do debate em um momento sensível para o clube.
Além do impacto no planejamento financeiro, a retenção atinge diretamente o elenco. Parte do valor estava destinada ao pagamento de premiações prometidas aos jogadores pela conquista do título nacional. Outro trecho seria utilizado para reduzir passivos e resolver pendências que hoje impedem o registro de novos atletas.
A situação reacende discussões sobre decisões tomadas em gestões passadas. O ex-presidente Duílio Monteiro Alves afirma que a retenção ocorre apenas quando existem parcelas em aberto e sustenta que sua administração deixou o acordo em condições viáveis de continuidade.
Enquanto a negociação segue, o Corinthians tenta equilibrar o discurso institucional com a necessidade prática de caixa. A liberação do valor é tratada como prioridade para evitar novos reflexos esportivos e administrativos ao longo da temporada.