
A tripulação da Artemis 2 teve uma "pequena surpresa" antes de ir em direção à lua. (Foto/HANDOUT/NASA TV/AFP)
Pouco antes da manobra que colocaria a cápsula Orion em trajetória para a Lua, na manhã desta quinta-feira (2/4), a tripulação da Artemis 2 recebeu um alerta inesperado sobre um possível vazamento. A situação, relatada pelo astronauta canadense Jeremy Hansen, provocou um momento de apreensão, mas logo foi confirmado como um alarme falso, permitindo que a missão prosseguisse normalmente.
Hansen, de 50 anos, explicou que a mensagem surgiu faltando menos de 20 minutos para a queima de injeção translunar. Por instantes, a equipe chegou a considerar cancelar a manobra, colocar os trajes espaciais e tentar retornar à Terra rapidamente. “Felizmente, foi apenas uma pequena anomalia, e Houston nos confirmou que a pressão na cabine estava normal, assim como nós também constatamos a bordo. Conseguimos realizar a queima normalmente”, contou.
Durante a entrevista, Hansen foi questionado sobre problemas com o vaso sanitário da Orion, que apresentou uma luz de falha. A astronauta Christina Koch, de 47 anos, assumiu a responsabilidade de verificar o sistema e brincou: “Sou a encanadora espacial. É provavelmente o equipamento mais importante a bordo.” Ela explicou que o problema ocorreu apenas porque o sistema estava parado há algum tempo e precisava de aquecimento, mas rapidamente voltou a funcionar sem prejuízos. O astronauta Victor Glover, 49, comentou que a tripulação também ajustava a temperatura da cápsula, que estava mais fria do que o esperado. Já o comandante Reid Wiseman, de 50 anos, descreveu o sono na cápsula como mais confortável do que imaginavam, mencionando de forma bem-humorada que Koch dormia “de cabeça para baixo, tipo morcego, no túnel de acoplamento”.
Além dos momentos de tensão, a tripulação destacou experiências marcantes da missão, como a vista da Terra ao iniciar a trajetória lunar. “Dá para ver o globo inteiro, de polo a polo, e até a aurora boreal. Foi impressionante e nos deixou paralisados”, disse Wiseman. Hansen ressaltou a importância histórica da missão: “A humanidade voltou a mostrar do que somos capazes. São as esperanças do futuro que nos impulsionam nesta jornada ao redor da Lua.” Koch também descreveu a Terra como “iluminada como se fosse dia, banhada pelo brilho da Lua”, destacando a emoção da experiência.
A Artemis 2 iniciou a missão em 1º de abril, com a decolagem do foguete SLS de Cabo Canaveral, na Flórida, e a cápsula Orion deixou a órbita terrestre nesta quinta-feira, iniciando seu trajeto rumo à Lua. A viagem levará entre três e quatro dias, percorrendo cerca de 384 mil quilômetros, muito além da distância da Estação Espacial Internacional, que orbita a 430 quilômetros da Terra. A missão também inclui a realização do “apogee raise burn”, uma ignição breve dos motores para ganhar impulso e elevar a órbita, preparando a cápsula para a queima de injeção translunar.
O objetivo da Artemis 2 é abrir caminho para um retorno à superfície lunar, previsto para 2028. Durante a missão, a cápsula contornará a Lua, incluindo o lado oculto, antes de retornar à Terra no dia 10 de abril, completando mais um passo da NASA rumo à exploração lunar tripulada.
caminho para um retorno à superfície lunar previsto para 2028.