Ex-prefeito e ex-ministro dos Transportes do governo de Lula, Anderson Adauto teme que a divisão do Brasil em dois grupos
Ex-prefeito e ex-ministro dos Transportes do governo de Lula, Anderson Adauto teme que a divisão do Brasil em dois grupos – a favor e contra o governo – leve o país a se transformar em uma Venezuela. Ele defende a legalidade, lembra que a presidente Dilma Rousseff foi eleita para 48 meses e está em seu terceiro mês de mandato e “não vê ainda nada de concreto que possa fazer com que haja essa movimentação para partir para a lógica do impeachment”, disse Anderson ao Jornal da Manhã. Para ele, há uma ânsia de golpe.
O ex-prefeito analisa que a presidente Dilma teve a maioria dos votos dos brasileiros e admite que ela perdeu apoios, mas ressalta que a grande massa que tem condições de ir para a rua e de fazer o contraponto, historicamente, é a esquerda, que não a abandonou. “Os próprios sindicatos, que fizeram a defesa dos direitos dos trabalhadores nos movimentos de sexta-feira [13], estão também na linha de defesa da presidente Dilma. Pela minha experiência, entendo que os chamados ‘coxinhas’ têm a sua capacidade de mobilização, mas eu nunca vi a direita mobilizada ao ponto de ir para a rua e ficar”, comenta AA.
Ele reforça que a sua preocupação não é com o processo de impeachment, mas com a possibilidade de o país virar uma confusão generalizada. Para ele, o movimento da última sexta-feira foi organizado apenas pelo movimento sindical e deve ser considerado uma demonstração do que todos os apoiadores da Dilma poderão ser capazes de produzir. “O PT e os partidos da base aliada não entraram e se realmente for mantida essa onda de polarização, vai haver o que aconteceu no processo eleitoral e vamos ter o terceiro turno”, prevê.
O ex-ministro de Lula comenta que o Brasil está na lógica de buscar o resgate da confiança e continuar crescendo, mas os movimentos acabam gerando clima de insegurança e a disputa vai contra os interesses maiores do país e do povo brasileiro. Para ele, é preciso separar o que é atribuição da Polícia Federal e do Judiciário e o papel da classe política, e acabar com o processo de sangria. “É muito difícil construir um processo democrático e o povo brasileiro sabe disso, mas é muito fácil transformar o Brasil em uma Venezuela”, conclui Anderson.