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Ar seco e baixa umidade aumentam casos de olho seco e conjuntivite; veja como se proteger

Falta de lubrificação natural no inverno pode agravar a síndrome do olho seco; especialista alerta para riscos de lesões irreversíveis e dá dicas de prevenção

Nubya Oliveira/O Tempo
Publicado em 03/06/2026 às 10:11
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Com a chegada do inverno, as atenções da população costumam se voltar para o aumento das doenças respiratórias. No entanto, um perigo silencioso ronda a saúde neste período: o impacto severo da baixa umidade do ar nos olhos. A combinação de clima seco, poluição concentrada, uso intensivo de telas e ambientes com ar-condicionado tem provocado um aumento expressivo nas queixas de desconforto ocular. O alerta vem de especialistas, que apontam riscos que vão desde o incômodo diário até infecções graves com potencial de comprometer a visão de forma definitiva.

A explicação para o mal-estar típico dos dias frios está na biologia do corpo humano em contato com o ambiente. Segundo o oftalmologista Luiz Carlos Molinari, cooperado da Unimed-BH, a baixa umidade do ar interfere diretamente na qualidade e na quantidade do filme lacrimal. Sem a hidratação adequada, os olhos perdem sua barreira de proteção natural. “A baixa umidade compromete a lubrificação ocular, provocando sintomas como vermelhidão, coceira, ardência, sensação de areia nos olhos e até embaçamento visual, especialmente no fim do dia”, explica o médico.

Ameaça ampliada pelas telas e o perigo da automedicação

O cenário, que já é desafiador devido ao clima estacional, ganha contornos mais preocupantes devido aos hábitos modernos. O uso prolongado de smartphones, computadores e televisores atua como um catalisador do ressecamento. Quando estamos concentrados diante das telas digitais, o reflexo de piscar diminui drasticamente. Essa redução na frequência das piscadas acelera a evaporação da lágrima, deixando a superfície ocular desprotegida.

Diante do incômodo constante, muitos pacientes cometem o erro de recorrer à automedicação. A facilidade para comprar colírios lubrificantes sem receita esconde perigos severos. Molinari adverte que o uso indiscriminado dessas substâncias pode piorar o quadro em vez de aliviá-lo. “Alguns colírios contêm conservantes que podem causar reações alérgicas ou agravar o ressecamento.

O uso excessivo pode levar à dependência e dificultar a lubrificação natural dos olhos”, afirma o especialista.

Grupos de risco e lesões irreversíveis

Embora o ar seco afete a população de forma geral, crianças e idosos exigem atenção redobrada. No caso dos pequenos, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento. Já na terceira idade, a presença de condições preexistentes costuma reduzir naturalmente a produção de lágrimas. Ambos os grupos ficam, portanto, mais suscetíveis à desidratação e a infecções na região dos olhos.

O grande perigo, segundo o oftalmologista, é negligenciar esses sintomas. Casos que não recebem o tratamento adequado podem evoluir para patologias severas na córnea,  a camada transparente e vital que recobre o olho. Complicações como ceratites e úlceras de córnea podem surgir, trazendo o risco iminente de perda da visão. “Quando a córnea é comprometida, pode haver danos irreversíveis”, pontua o médico.

O avanço da conjuntivite no inverno

Além da síndrome do olho seco, o inverno - característico pelo clima seco e escassez de chuvas - propicia o cenário ideal para surtos de conjuntivite, inflamação da membrana que reveste a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. A falta de umidade faz com que os poluentes fiquem suspensos no ar por mais tempo, irritando os olhos e facilitando a ação de agentes infecciosos.

Nesta época, a doença se manifesta principalmente de duas formas:

Conjuntivite viral: Frequentemente causada pelo adenovírus, destaca-se pelo alto poder de contágio. Costuma começar em um dos olhos e rapidamente atinge o outro. Os sintomas incluem vermelhidão, lacrimejamento excessivo, sensibilidade à luz (fotofobia) e secreção aquosa, podendo vir acompanhada de ínguas perto do ouvido e sintomas respiratórios.
Conjuntivite alérgica: Não é contagiosa e decorre da exposição a alérgenos como poeira, ácaros e pelos de animais, que se concentram no ar seco. Atinge os dois olhos simultaneamente, provocando coceira intensa, inchaço nas pálpebras e secreção clara, afetando principalmente pessoas que já sofrem de rinite alérgica.

Luiz Carlos Molinari reforça que, embora os sintomas iniciais sejam parecidos, os tratamentos são totalmente distintos. Enquanto a conjuntivite viral costuma se resolver de forma espontânea em até duas semanas (demandando apenas cuidados de higiene), a alérgica necessita de anti-histamínicos e controle ambiental para evitar novos episódios.

Guia Prático: como proteger os olhos no tempo seco

A boa notícia é que atitudes simples no dia a dia podem prevenir os efeitos nocivos da baixa umidade. Confira as principais orientações do especialista da Unimed-BH:

  • Hidrate-se de dentro para fora: Beba bastante água ao longo do dia para manter a produção natural de lágrimas.
  • Umidifique o ambiente: Use aparelhos umidificadores ou coloque bacias com água nos cômodos da casa e do trabalho.
  • Evite vento direto: Fique longe do fluxo direto de aparelhos de ar-condicionado ou correntes de vento que aceleram o ressecamento.
  • Pisque conscientemente: Force o ato de piscar com frequência ao utilizar telas de computador ou celular.
  • Adote a regra 20-20-20: A cada 20 minutos de uso de telas, olhe para um ponto a 6 metros de distância por 20 segundos.
  • Cuidado com os colírios: Use lágrimas artificiais preferencialmente sem conservantes e sempre sob orientação médica.
  • Alimentação aliada: Inclua alimentos ricos em ômega 3 na dieta, substância que beneficia a saúde ocular.
  • Proteção solar: Use óculos de sol com proteção UV ao sair, protegendo os olhos da radiação solar e do vento seco.

Consulte o médico: Não hesite em procurar um oftalmologista regularmente, especialmente se os sintomas persistirem.

Fonte: O Tempo

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