
Reconstrução de Ötzi (Foto/Eurac Research/Andrea De Giovanni)
Pesquisadores da instituição italiana Eurac Research descobriram microrganismos vivos no corpo de Ötzi, conhecido como o “Homem de Gelo”, uma múmia natural com cerca de 5,3 mil anos encontrada nos Alpes, na fronteira entre Itália e Áustria.
O estudo revelou que o corpo preservado abriga bactérias, fungos e leveduras capazes de sobreviver mesmo após milênios congelados. Segundo os cientistas, Ötzi funciona hoje como um verdadeiro “ecossistema vivo”, reunindo micróbios ancestrais, organismos adaptados ao frio e espécies modernas introduzidas durante a conservação da múmia em museu.
Os pesquisadores identificaram bactérias intestinais ligadas a dietas pré-industriais ricas em fibras, raramente encontradas atualmente em populações ocidentais. A descoberta pode ajudar a entender como o microbioma humano mudou ao longo da história devido à industrialização, alimentação ultraprocessada e uso de antibióticos.
Além disso, o estudo apontou que algumas leveduras adaptadas ao frio seguem metabolicamente ativas no corpo de Ötzi, mantido a cerca de -6 °C em um museu na cidade de Bolzano, na Itália.
Ötzi foi encontrado em 1991 e é considerado a múmia natural mais antiga da Europa. Estudos anteriores já haviam revelado detalhes sobre sua alimentação, saúde, roupas, tatuagens e até a provável causa da morte: uma flecha alojada no ombro que provocou hemorragia fatal.
Os cientistas afirmam que a pesquisa abre novas possibilidades para compreender a evolução do microbioma humano e também traz desafios para a conservação de múmias históricas, já que microrganismos modernos podem alterar gradualmente os tecidos preservados.