MITOS E SUPERSTIÇÕES

Azar mesmo é o preconceito: gato preto segue cercado por mito na sexta-feira 13

Especialista diz que não há evidência de maior risco na data, mas superstição ainda interfere no destino desses animais

Débora Meira
Publicado em 13/03/2026 às 07:20
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Data cercada por superstições, a sexta-feira 13 ainda alimenta crenças populares, como a de que gatos pretos trariam azar (Foto/Ilustração)

Data cercada por superstições, a sexta-feira 13 ainda alimenta crenças populares, como a de que gatos pretos trariam azar (Foto/Ilustração)

A superstição de que gatos pretos trazem azar, especialmente em datas como a sexta-feira 13, atravessa séculos e culturas, mas não encontra respaldo científico. Apesar de estar presente no imaginário popular, a crença não se reflete em aumento de casos de maus-tratos ou acidentes envolvendo esses animais. Para o médico veterinário Cláudio Yudi, do Hospital Veterinário da Uniube, a associação entre a data e gatos pretos é cultural, não clínica. 

O veterinário observa que, até o momento, não houve associação entre sexta-feira 13 e maior número de casos envolvendo gatos pretos. “Incidentes como maus-tratos ou envenenamentos podem ocorrer ao longo do ano, mas não há dados que indiquem aumento na data. Muitos casos suspeitos de envenenamento são, na verdade, atropelamentos”, detalha. 

A origem histórica da superstição remonta à Europa medieval. Na época, acreditava-se que gatos pretos estavam ligados à bruxaria, sendo utilizados por algumas bruxas em rituais ou até transformados em animais de companhia sobrenatural. Com a colonização portuguesa, a crença chegou ao Brasil e, ao longo do tempo, foi incorporada ao folclore popular. Filmes e histórias de terror reforçaram a ideia de que gatos pretos estariam ligados ao azar, apesar de não haver qualquer fundamento científico.

O veterinário alerta que, embora a data em si não aumente o risco para os animais, a superstição ainda influencia o comportamento humano. Animais de pelagem preta, gatos e cães, muitas vezes permanecem mais tempo em abrigos aguardando adoção. “Essas superstições, mesmo não admitidas por muitas pessoas, podem interferir no bem-estar dos animais e na decisão de adotá-los”, afirma. 

Além disso, Yudi destaca que os perigos enfrentados pelos gatos não estão ligados à superstição, mas sim ao acesso à rua. Animais soltos estão sujeitos a atropelamentos, envenenamentos acidentais, agressões, brigas com outros gatos e traumas diversos. Para reduzir riscos, recomenda-se manter os gatos em ambientes seguros, com janelas protegidas, portões fechados, vacinação em dia e coleira com identificação. 

Sinais de maus-tratos ou violência exigem atenção imediata. Feridas, fraturas, apatia, dificuldade para andar, vômitos, tremores ou convulsões devem levar o animal a atendimento veterinário. 

O veterinário ressalta que gato preto não dá azar. “A cor da pelagem não interfere no comportamento, na docilidade ou no valor do animal. Muitos gatos pretos são dóceis, carinhosos e excelentes companheiros. Precisamos esclarecer a população e incentivar a guarda responsável, garantindo respeito e cuidado para todos os animais, independentemente da cor”, destaca. 

Caso alguém presencie maus-tratos, agressão ou suspeita de violência contra animais, a recomendação é formalizar denúncia junto à Superintendência de Bem-Estar Animal da Secretaria de Meio Ambiente de Uberaba, para que sejam adotadas as medidas cabíveis.

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