O juro básico mais baixo da história do Brasil possibilita investimentos na bolsa de valores. A B3 foi turbinada no ano passado, com valorização de quase 32%. Pequenos investidores têm condições de se lançar na bolsa e aproveitar a oportunidade que a aplicação oferece, é o que indica especialistas.
Em 2019, o número de investidores pessoas físicas na B3 ultrapassou 1,6 milhão, o dobro do verificado no ano anterior. A Selic, aquela taxa que remunera os títulos do governo no mercado financeiro e serve de referência para as operações nos bancos e no comércio, desceu a 4,5% ao ano. Se a meta do investidor é aumentar o patrimônio, investir em ações pode ser uma boa alternativa, recomenda o analista-chefe da Toro Investimentos, Rafael Panonko.
“Investir é mais fácil do que as pessoas imaginam. Todo mundo, hoje, consegue investir na bolsa, não precisa ter grande patrimônio”, diz Panonko. O analista afirma que com R$ 5 mil é possível compor uma carteira diversificada. “É possível fazer com um valor menor, mas a diversificação fica prejudicada.” No entanto, na visão dele, o percentual da renda que o investidor consegue alocar e a frequência das aplicações são fatores mais importantes do que a quantidade inicial investida.
Para o especialista, é importante começar no mercado de capitais com uma mentalidade focada no longo prazo e na acumulação de patrimônio, e não com a visão imediatista de ganhar dinheiro. Ele recomenda que o investidor conservador ou iniciante em ações, antes de tudo, se dedique a estudar e conhecer como o processo de aplicação nesse tipo de ativo. O próximo passo é escolher uma corretora com a qual o investidor se identifique e que esteja alinhada aos seus interesses.
Riscos
A bolsa de valores brasileira busca convencer o pequeno investidor de que é possível se aventurar no mercado de capitais. O site da empresa disponibiliza cursos on-line sobre compra e venda de ações, bem como renda variável em geral e outras modalidades de investimentos. Um dos textos afirma que investir na bolsa é menos arriscado do que muitos pensam.
“Ser sócio de uma ou várias empresas de grande porte é certamente menos arriscado do que ser dono de um negócio próprio”, compara. Um “mito” que a B3 pretende quebrar ao disponibilizar essas informações é de que investir em ações é apenas para ricos. “Investidores de qualquer porte podem comprar e vender ações com segurança e facilidade”.
O curso no site da B3 define que, ao investir em ações, o investidor está sujeito a dois tipos de riscos. Um é o risco de mercado, que diz respeito à alta volatilidade das ações, o que se deve à imprevisibilidade dos preços dos papéis. “Quanto maior a volatilidade, maior é o risco. Algumas ações são mais voláteis que outras, dependendo das características de cada empresa”, esclarece o texto.
Outro risco é o de liquidez, que é o tempo que se leva para transformar as ações em dinheiro. De acordo com a B3, como as negociações na bolsa brasileira chegam diariamente a bilhões de reais, normalmente as ações têm boa liquidez.
Em 2019, o investimento em ações foi o que rendeu maior retorno no Brasil. O Ibovespa, principal índice da bolsa, se valorizou 31,58% no ano, superando as aplicações em ouro, que renderam 28,1%.
Diversificar os segmentos das empresas das quais se compram participações o quanto puder é outra recomendação para que o aplicador reduza o risco inerente a esse tipo de investimento. “A diversificação é o melhor caminho para todos os tipos de investidores”, diz Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos. Além disso, diversificar as modalidades de investimento também ajuda a reduzir os perigos. Siga o passo a pass
Tenha mentalidade de longo prazo ao investir em ações
O comportamento indicado na bolsa de valores é ter foco longo na acumulação de patrimônio. Quem procura ganhar muito dinheiro rapidamente aumenta os riscos que corre
Não é preciso ter muito dinheiro para investir
Com R$ 5 mil já é possível adquirir uma carteira de papéis diversificada. Com menos de R$ 30 o investidor já consegue comprar participação em uma empresa, mesmo que pequena
Ações são investimento para quem tolera risco
Como os preços das ações não são totalmente previsíveis, o perfil do investidor no mercado de capitais é mais arrojado do que no de renda fixa. É necessária análise de aptidão ao risco
Estude e aprenda sobre o mercado de capitais
Em razão da volatilidade, as perdas podem ser grandes e é mais perigoso para o investidor que não conhece a dinâmica do mercado. Dedicar-se a entender o processo é fundamental
Não faça o que os outros investidores estão fazendo
Cada um tem objetivos e um perfil de aptidão a riscos distintos. Por isso, não é recomendável seguir dicas e o que outros investidores fazem na bolsa
Procure uma corretora alinhada com seus interesses
A escolha da corretora deve fazer sentido com os objetivos pessoais de cada investidor. Busque bom atendimento, processo de negociação facilitado e materiais educativos
Diversifique a carteira de ações e de investimentos em geral
Para ter carteira saudável e protegida de grandes riscos, devem-se adquirir participações em empresas de diferentes setores. Ações devem ser apenas uma modalidade de investimentos
*Com informações Estado de Minas