A meningite meningocócica é uma infecção grave que pode evoluir rapidamente, levando à morte em menos de 24 horas. Apesar do risco, apenas 19% dos pais brasileiros sabem que a doença pode ser fatal em poucas horas, segundo uma pesquisa global realizada pela biofarmacêutica GSK. Entre jovens de 15 a 25 anos, o índice cai para 10%.
O levantamento também revelou dúvidas sobre a vacinação: 25% dos jovens brasileiros não sabem se já receberam a vacina contra a meningite. Além disso, apenas 29% dos pais e 24% dos jovens reconhecem adolescentes e adultos jovens como grupos para os quais a imunização pode ser recomendada.
A falta de informação preocupa diante da gravidade da doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a meningite meningocócica tem letalidade média de 20% no Brasil. Entre os sobreviventes, de 20% a 37% podem apresentar sequelas graves e permanentes, como perda auditiva, danos neurológicos e amputação de membros.
Sintomas podem ser confundidos com outras infecções
No início, a meningite pode provocar sintomas semelhantes aos de outras doenças, como febre, dor de cabeça e vômitos. Essa semelhança pode dificultar o reconhecimento da infecção e atrasar a procura por atendimento médico.
De acordo com a pesquisa, 21% dos pais acreditam que a doença começa com manifestações graves e evidentes. No entanto, a evolução pode ser rápida, e a ausência inicial de sintomas intensos não significa que o quadro seja leve.
A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, ressalta a importância de conhecer as formas de prevenção, reconhecer os sinais e buscar atendimento diante de suspeita da doença.
Cobertura vacinal está abaixo da meta
Dados do Ministério da Saúde citados no levantamento apontam que a cobertura vacinal média nacional contra o meningococo está em 88,94%, abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Estados como Amapá, Pará, Roraima e Maranhão apresentam índices inferiores à média nacional.
A vacinação é uma das principais formas de prevenção. Estudos realizados no Brasil indicam que, em períodos de alta cobertura, as hospitalizações por infecção meningocócica entre crianças de zero a quatro anos podem cair até 57%.
A proteção também merece atenção na adolescência, fase em que muitos jovens desconhecem se estão imunizados. As vacinas disponíveis protegem contra diferentes sorogrupos da bactéria, e a indicação depende da idade, do histórico vacinal e das recomendações de saúde.
Nova indicação amplia opção para bebês
Em setembro, a Anvisa ampliou a indicação da vacina meningocócica conjugada quadrivalente MenQuadfi, da Sanofi, para bebês a partir de seis semanas de vida. O imunizante protege contra os sorogrupos A, C, W e Y.
A ampliação representa uma alternativa para a proteção nos primeiros meses de vida, mas não altera automaticamente o calendário vacinal público. Pais e responsáveis devem consultar um profissional de saúde para verificar as vacinas indicadas para cada faixa etária e o esquema adequado.
Quando procurar atendimento?
Diante de suspeita de meningite, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente, principalmente quando há febre acompanhada de dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos, confusão mental, sonolência excessiva ou manchas na pele.
A doença pode evoluir rapidamente, por isso não se deve esperar o agravamento dos sintomas para buscar ajuda. Manter a vacinação em dia e seguir as orientações dos profissionais de saúde são medidas importantes para reduzir o risco de complicações e mortes.