EL NIÑO

El Niño deve intensificar calor e seca em MG e ameaçar florada do café e plantio da soja

INMET prevê chuvas abaixo da média em outubro e temperaturas até 2°C acima do normal no centro e norte do estado; fenômeno tem 100% de probabilidade de persistir até dezembro

Publicado em 14/10/2026 às 08:59
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O fenômeno El Niño deve continuar influenciando o clima brasileiro nos próximos meses, com previsão de calor acima da média e chuvas irregulares em parte de Minas Gerais. Segundo o boletim agroclimatológico de outubro do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o cenário exige atenção dos produtores rurais, principalmente nas lavouras de café arábica, soja e milho.

A previsão indica que outubro será um mês especialmente delicado para a agricultura mineira. A combinação de temperaturas elevadas e baixa disponibilidade de água no solo pode prejudicar a florada do café e atrasar a semeadura de grãos.

De acordo com as projeções do International Research Institute for Climate and Society (IRI), citadas pelo INMET, há 100% de probabilidade de ocorrência do El Niño entre outubro e dezembro de 2026. O fenômeno também pode permanecer ativo durante os primeiros meses de 2027.

Calor e falta de chuva preocupam cafeicultores

Nas regiões produtoras de café arábica, a deficiência hídrica e as altas temperaturas previstas para outubro podem comprometer a florada e o desenvolvimento inicial dos frutos.

Em Minas Gerais, as temperaturas devem ficar entre 1°C e 2°C acima da média no centro e no norte do estado durante o trimestre. O tempo seco pode aumentar o risco de abortamento das flores e prejudicar o pegamento dos frutos.

O cenário já era preocupante em setembro. Segundo o boletim, o norte de Minas terminou o mês com menos de 15% de água disponível no solo. Em Januária, a média das temperaturas máximas chegou a 36,7°C.

A expectativa é de recuperação gradual da umidade a partir de novembro, com o retorno mais regular das chuvas. Ainda assim, a evolução das condições climáticas será importante para o desenvolvimento das lavouras.

Plantio de soja e milho depende da chuva

A falta de umidade também pode dificultar o início do plantio de soja e milho em áreas mineiras. A recomendação do INMET é que a semeadura seja realizada quando o solo apresentar condições adequadas de umidade, reduzindo o risco de falhas na germinação e na emergência das plantas.

No norte do estado, a previsão aponta que a disponibilidade de água no solo poderá continuar abaixo de 30% da capacidade em novembro e, em áreas do extremo norte mineiro, até dezembro.

Em outras regiões do Brasil, o cenário também preocupa. Em Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal, o déficit hídrico e o calor podem prejudicar o desenvolvimento inicial das lavouras e aumentar a necessidade de replantio.

Sul do Brasil enfrenta excesso de chuva

Enquanto parte do Centro-Oeste, do Norte e do norte de Minas deve enfrentar condições mais secas, a previsão para a Região Sul aponta o problema oposto: chuvas acima da média durante o trimestre.

O excedente de precipitação pode ultrapassar 100 milímetros em relação à média em áreas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. Em alguns locais, os volumes previstos para outubro podem superar 200 milímetros acima do normal.

O excesso de água pode dificultar a colheita de trigo, cevada e canola, reduzir as janelas para aplicação de defensivos e prejudicar o preparo do solo para o plantio da soja. O boletim também alerta para o risco de tempestades, vendavais e granizo.

Norte e Nordeste têm risco de seca e incêndios

A previsão indica chuvas abaixo da média em grande parte do Norte, acompanhadas de temperaturas elevadas. Em áreas de Roraima, Amazonas e Pará, a baixa umidade do solo pode dificultar o desenvolvimento das lavouras e manter elevado o risco de incêndios.

No Nordeste, a tendência também é de pouca água disponível no solo durante os três meses. No semiárido, a situação pode afetar pastagens, a disponibilidade de água para os rebanhos e o cultivo de milho e feijão dependentes da chuva.

Quando as chuvas devem voltar a se regularizar?

De acordo com o INMET, a chuva tende a retornar de forma mais regular a partir de novembro em parte das áreas afetadas pela estiagem. Em dezembro, a disponibilidade de água no solo deve melhorar em grande parte do Centro-Oeste.

Os efeitos, porém, serão diferentes conforme a região. Enquanto algumas áreas podem enfrentar recuperação da umidade, outras continuarão sob risco de seca, e o Sul deverá lidar com volumes elevados de precipitação.

O El Niño está associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. A intensidade dos impactos depende também de outros fatores atmosféricos e das condições locais.

Para os produtores rurais, acompanhar os boletins meteorológicos e as atualizações oficiais será fundamental para planejar o plantio, o manejo das lavouras e as medidas de prevenção contra os efeitos do calor, da estiagem e do excesso de chuva.

Fonte: Boletim Agroclimatológico do INMET, volume 66, número 10, outubro de 2026. Previsão de chuva e temperatura do modelo multimodelo INMET/CPTEC/Funceme; probabilidade do El Niño do IRI; temperatura do mar da NOAA

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