ATENÇÃO

Canetas emagrecedoras e anabolizantes podem impedir doação de sangue

Hemominas alerta que uso de medicamentos deve ser informado durante triagem para evitar riscos em transfusões

Gabriel Rezende/O Tempo
Publicado em 25/05/2026 às 19:21
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O uso de medicamentos como Ozempic, Mounjaro, testosterona e anabolizantes pode impedir temporariamente a doação de sangue. O alerta foi feito nesta segunda-feira (25/5) pela Fundação Hemominas, que reforçou a importância de os candidatos informarem corretamente o uso de medicamentos durante a triagem clínica.

Segundo a fundação, critérios relacionados ao uso de remédios foram atualizados recentemente, especialmente para medicamentos usados no emagrecimento, prevenção do HIV e substâncias hormonais.
No caso das chamadas “canetas emagrecedoras”, a doação pode ser suspensa por 14 dias após o início do tratamento ou aumento da dose, principalmente quando o paciente apresenta sintomas como náusea, vômito, diarreia persistente, refluxo intenso ou sinais de desidratação.

A hematologista Junia Nascimento, da Oncomed, explica que a restrição não envolve apenas o medicamento em si, mas também os efeitos que ele pode causar no organismo do doador.

“São medicações que podem provocar náuseas, vômitos, diarreia e desidratação. Quando você retira cerca de 500 ml de sangue de uma pessoa que já está desidratada, o impacto pode ser maior e aumentar os riscos para esse doador”, afirma.

Segundo ela, outro ponto levado em consideração é o tempo de circulação da medicação no organismo.

“Temos que considerar quanto tempo essa substância permanece circulando para que ela não impacte posteriormente o receptor do sangue”, explica.

Além disso, compartilhar medicamentos, utilizar produtos de origem desconhecida ou usar medicação que não esteja sob posse do próprio paciente impede a doação por 12 meses, segundo a Hemominas.

Testosterona e anabolizantes

A fundação também alertou para o uso de testosterona e outras substâncias anabolizantes, inclusive em gel. A orientação é que o doador informe a data da última utilização durante a entrevista clínica.

Segundo a médica da Assessoria de Hematologia e Hemoterapia da Hemominas, Flávia Loureiro, essas substâncias podem representar riscos para quem recebe a transfusão.“Em gestantes, por exemplo, a transfusão de sangue com presença de testosterona pode causar alterações no desenvolvimento fetal”, explicou.

Estoques enfrentam momento crítico

Além das mudanças nos critérios, especialistas alertam que o período atual reúne fatores que têm reduzido o número de doadores aptos. Segundo Junia Nascimento, o avanço de doenças respiratórias e o aumento do uso de medicamentos para emagrecimento têm ampliado os casos de inaptidão temporária.

“Estamos em uma época do ano com grande circulação viral, tivemos campanhas de vacinação e também um boom das canetas emagrecedoras. Tudo isso acaba reunindo situações que tornam muitos doadores temporariamente inaptos”, afirma.

Ela destaca que os estoques de sangue atravessam um momento delicado em Belo Horizonte e em outras regiões do país. “Vivemos uma fase crítica de estoque de sangue. Por isso, é importante que as pessoas procurem informações e tentem doar quando estiverem aptas. É um ato voluntário que ajuda muitas pessoas”, diz.

Prevenção ao HIV também exige atenção

As mudanças também envolvem medicamentos usados na prevenção do HIV, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP).

Nesses casos, o prazo mínimo para doação caiu de seis para quatro meses após o uso da medicação. Ainda assim, a Hemominas destaca que o motivo do uso também será avaliado durante a triagem.

Segundo Flávia Loureiro, omitir essas informações pode colocar pacientes em risco. “O uso de medicamentos para prevenção do HIV pode reduzir temporariamente a quantidade de vírus circulante no organismo e dificultar o diagnóstico. Quando essa informação é omitida, há risco para quem vai receber o sangue”, afirmou.

A especialista também ressaltou que o conceito “Indetectável = Intransmissível”, aplicado à transmissão sexual do HIV, não vale para transfusões sanguíneas. “Na transfusão, o volume de sangue é muito maior e a exposição ocorre diretamente pela via endovenosa”, explicou.

A Hemominas reforçou que a sinceridade durante a triagem é fundamental para garantir segurança no processo transfusional.

Fonte: O Tempo.

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