Foto/reprodução/Micah Abe
A advogada Laíss Casullo, de 33 anos e o corretor de imóveis Erik Guerrieri, de 30 estavam com casamento marcado para 21 de março. A cerimônia seria em um charmoso restaurante italiano de Brasília, fechado para 55 convidados.
O sonho foi planejado pelo casal Laíss e Erik durante dez meses e precisou ser alterado devido a pandemia mundial do coronavírus. À medida que se aproxima maio, o mês das noivas, outros casais também tiveram que mudar os planos. E, em meio à frenética correria para reagendar tudo, até a lua de mel, um punhado de noivos ousados está optando por manter a data e casar como dá: em casa, via aplicativo, sem altar, sem convidados e sem música — mas de vestido de noiva, o único item do qual não se pode abrir mão.
Laíss e Guerrieri foram ao cartório enquanto isso ainda era possível e lá, vestidos a caráter, trocaram votos diante de uma testemunha improvisada e uma tela de celular, que transmitiu o “sim” em tempo real para pais, padrinhos e amigos. “Fiquei um pouco triste, porque tinha planejado cada detalhe, mas a experiência serviu para resgatar a essência do casamento, que somos nós dois”, explicou a noiva.
No Estado de São Paulo, onde os casórios movimentam 5 bilhões de reais por ano, registrou-se o cancelamento de todas as grandes comemorações entre o fim de março e meados de julho (a data remarcada pelos mais otimistas), um corte de 40% na receita de cerimonialistas, doceiros e floristas. “Os adiamentos são uma tragédia sem precedentes no ramo. As empresas vão ter dificuldade em sustentar os custos fixos até a retomada das atividades”, lamenta o presidente da Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), Ricardo Dias.
No Recife, Denise Guimarães, de 37 anos, e Marcelo Siqueira, de 40, resolveram se casar via videoconferência — eles em um lugar, o juiz em outro. A festa, pensada para setenta pessoas, limitou-se à reunião dos pais, irmãos e uma amiga na casa da mãe da noiva. “A gente riu muito durante a cerimônia. Estressante mesmo foi cancelar todos os serviços”, relata Denise. Diante das dificuldades de locomoção, o “sim” dos noivos perante o juiz (separados por quilômetros de distância, embora conectados por um smartphone) passou a ser considerado um casamento civil válido.
Já o religioso é mais complicado. No catolicismo, o sacramento do matrimônio concentra o maior número de regras canônicas — e uma delas é justamente ter gente em volta. “É um ritual essencialmente comunitário e dificilmente será flexibilizado”, acredita o teólogo Felipe Magalhães, da PUC-MG. Quem insiste, porém, consegue. No caso da delegada Raquel Gallinati, de 44 anos, e do investigador de polícia Marcel Lombardi, de 40 — ela, budista, ele, católico —, a festa para 120 pessoas em São Paulo deu lugar a uma cerimônia na Paróquia de Sant’Ana celebrada por um padre e presenciada pelos pais, quatro padrinhos e uma daminha. “Decidimos que o mais importante era a bênção e não nos arrependemos”, assegura Raquel.
*Com informações da Veja