Ex-militar afirma ter forjado relato nos anos 1990; ao Jornal da Manhã, o ufólogo Victório Pacaccini nega pagamento a testemunhas e contesta a versão

Foto de homem, com suposto problema mental, anexada ao inquérito do ET de Varginha (MG). (Foto/Reprodução)
Trinta anos após o episódio que colocou a cidade mineira de Varginha no centro das atenções mundiais, o Caso do ET ganhou um novo capítulo. A história, que completa três décadas nesta terça-feira (20), voltou ao noticiário, com a revelação de um ex-militar que afirmou ter forjado um depoimento nos anos 1990, reacendendo discussões e provocando reações de pesquisadores e ufólogos envolvidos na investigação do caso. Após a repercussão, o ufólogo Victório Pacaccini afirmou ao Jornal da Manhã que a narrativa do Caso Varginha não se sustenta em um único depoimento e negou qualquer interesse financeiro na apuração do episódio.
O contexto remonta a janeiro de 1996, quando relatos de moradores sobre a presença de uma criatura de aparência incomum se espalharam pela cidade, acompanhados de movimentações atribuídas ao Exército e a órgãos de segurança. Ao longo dos anos, a narrativa se consolidou como um dos maiores mistérios da ufologia brasileira, atraindo atenção internacional, produções audiovisuais e estudos independentes.
A nova reviravolta surgiu após um ex-soldado declarar, em entrevista recente, que um dos relatos atribuídos a ele, envolvendo transporte de uma suposta criatura extraterrestre, não seria verdadeiro. Segundo ele, a versão teria sido criada na época sob influência externa, colocando em dúvida uma das peças frequentemente citadas por defensores da tese.
Além disso, documentos oficiais das Forças Armadas apontam para a inexistência de evidências que sustentem a versão ufológica do episódio. Um Inquérito Policial Militar, instaurado em 1997 e mantido arquivado pelo Superior Tribunal Militar, concluiu que os relatos teriam resultado de uma interpretação equivocada de testemunhas, que confundiram um homem com transtornos mentais, conhecido por circular pela cidade e permanecer frequentemente agachado, com uma suposta criatura extraterrestre. A apuração também descartou qualquer participação de militares no transporte do alegado ser, após análise de depoimentos, registros de viaturas e rotinas operacionais.
A declaração gerou reação imediata de ufólogos que acompanham o caso desde os anos 1990. Em nota encaminhada ao JM, um dos principais investigadores do caso, Victório Pacaccini, contestou a acusação e afirmou que jamais ofereceu qualquer valor a testemunhas. “Nunca paguei, induzi ou orientei ninguém a prestar depoimentos direcionados. Essa acusação é falsa e atinge diretamente a minha honra e a seriedade de um trabalho desenvolvido ao longo de mais de três décadas”, declarou.
O pesquisador também ressaltou que, desde o início das investigações, sempre orientou testemunhas a priorizarem a própria segurança, inclusive com a possibilidade de negar ou silenciar informações caso se sentissem ameaçadas. “Mudanças de versão após tantos anos podem ocorrer por diversos fatores, como pressões externas ou interesses alheios à pesquisa. Isso não invalida o conjunto de relatos, registros indiretos e contradições oficiais que permanecem sem explicação”, acrescentou.
Enquanto isso, o Caso do ET de Varginha segue sendo revisitado em novas produções e eventos. A discussão deve ganhar novos contornos nesta terça-feira (20), aniversário de 30 anos do misterioso episódio na cidade mineira, quando um evento marcado em Washington, nos Estados Unidos, promete recolocar o fato histórico sob os holofotes internacionais. A coletiva será realizada no National Press Club e conduzida pelo documentarista James Fox, conhecido por produções sobre fenômenos aéreos não identificados. Segundo a convocação oficial, o encontro reunirá testemunhas brasileiras, especialistas e até parlamentares norte-americanos, com destaque para o depoimento de um neurocirurgião que afirma ter tido contato direto, em um hospital de Varginha, com um ser vivo não humano.
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