CRIME NO ESTADO

Casos como o de “Orelha” disparam e maus-tratos a animais crescem quase 50% em Minas

Violência que chocou o país expõe cenário alarmante no estado; dados oficiais mostram avanço dos registros, enquanto ativistas apontam impunidade e falhas na fiscalização

Publicado em 01/02/2026 às 16:24
Compartilhar
Atacado na Praia Brava, em Santa Catarina, em 4 de janeiro, o cão comunitário Orelha teve que ser submetido a eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. (Foto/Reprodução/Rede Social)

Atacado na Praia Brava, em Santa Catarina, em 4 de janeiro, o cão comunitário Orelha teve que ser submetido a eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. (Foto/Reprodução/Rede Social)

O ataque brutal que levou à morte do cão comunitário Orelha, em Santa Catarina (RS), no início de janeiro, reacendeu o debate nacional sobre maus-tratos a animais e encontrou eco em Minas Gerais. No estado, os registros desse tipo de crime avançaram de forma expressiva: segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), os casos consumados saltaram de 4.148 para 6.135 entre janeiro e novembro de 2025, um aumento de 47,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para ativistas da causa animal, o crescimento revela um cenário preocupante que mistura penas consideradas brandas, sensação de impunidade e, ao mesmo tempo, maior conscientização da população para denunciar. “Orelhas são muitos e muitas”, resume Adriana Araújo, coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA), ao afirmar que o caso ocorrido no litoral catarinense não é isolado e reflete uma realidade cotidiana em Minas.

A advogada Daniela Recchioni, presidente da Comissão Estadual de Direitos dos Animais da OAB-MG, avalia que a punição prevista em lei ainda não é suficiente para coibir os crimes. Atualmente, maus-tratos contra cães e gatos podem resultar em pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e perda da guarda do animal. “A percepção de que ‘não vai dar em nada’ acaba estimulando a reincidência e desmotivando denúncias”, afirma.

Na mesma linha, a jornalista e ativista Daniela Sousa aponta que a falta de responsabilização efetiva sobrecarrega protetores e a sociedade civil. Segundo ela, o enfrentamento à violência contra animais recai, muitas vezes, sobre voluntários que lidam com resgates, dívidas e desgaste emocional, enquanto os poderes públicos falham em ações mais estruturadas.

Apesar do avanço dos casos no estado, Belo Horizonte apresentou movimento contrário. Na capital, os registros de maus-tratos caíram 12,69% no período analisado, passando de 394 para 344 ocorrências. Para o MMDA, a redução está ligada à atuação constante de movimentos de proteção animal, à criação de delegacia especializada, à Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais do Ministério Público e a ações de conscientização.

Ainda assim, desafios persistem. Regiões como a Estrada do Sanatório, na Região Norte de BH, seguem como pontos críticos de abandono. “O abandono também é uma forma de violência, silenciosa e muitas vezes fatal”, alerta Joyce Mendes, do projeto Amor a Quatro Patas. Casos recentes em cidades do Sul de Minas e da Região Metropolitana, com prisões, resgates e destruição de abrigos comunitários, reforçam a gravidade do problema.

Mesmo após avanços legais, como a Lei Sansão, criada em 2020 após a mutilação de um pitbull em Vespasiano, a brutalidade segue presente. O caso de Orelha, atacado por adolescentes e submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos, tornou-se símbolo de uma violência que ainda desafia o poder público. Neste domingo (1º), manifestações nas capitais pede justiça e políticas mais efetivas de proteção aos animais.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por