
(Foto/Getty Images)
Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001, os impactos à saúde de pessoas expostas à poeira e à fumaça do desastre continuam sendo registrados nos Estados Unidos.
Dados do Programa de Saúde do World Trade Center, criado para atender socorristas e sobreviventes dos ataques, mostram que o número de participantes diagnosticados com câncer aumentou 912% na última década. Até junho de 2026, 57.044 pessoas cadastradas no programa haviam recebido diagnóstico da doença.
O aumento, no entanto, não significa que o risco individual de desenvolver câncer tenha crescido na mesma proporção. Segundo os dados, o programa também registrou um aumento expressivo no número de pessoas atendidas ao longo dos anos.
Quando as Torres Gêmeas desabaram, uma enorme nuvem de poeira se espalhou pelo sul de Manhattan. Os incêndios que permaneceram ativos durante meses também liberaram fumaça e substâncias tóxicas.
Nos anos seguintes, milhares de bombeiros, policiais, trabalhadores, moradores e outras pessoas que estavam na região passaram a apresentar problemas de saúde associados à exposição.
O programa de acompanhamento foi criado pelo Congresso americano em 2010. No primeiro ano, cerca de 60 mil socorristas e sobreviventes haviam se inscrito. Em 2026, o número chegou a aproximadamente 154 mil participantes.
Pesquisas realizadas pelo próprio programa apontam taxas mais elevadas de alguns tipos de câncer entre bombeiros expostos ao desastre, incluindo câncer de tireoide, próstata e determinados tipos de câncer no sangue, quando comparados à população geral dos Estados Unidos.
A exposição também está relacionada a problemas respiratórios, como asma, sinusite crônica e outras doenças respiratórias.
Os impactos não se limitam à saúde física. Muitos participantes apresentam problemas de saúde mental, incluindo transtorno de estresse pós-traumático e depressão.
A dimensão dos efeitos de longo prazo fez com que o acompanhamento médico dos sobreviventes e socorristas se tornasse uma parte permanente do legado dos atentados.
As doenças podem surgir anos ou até décadas após a exposição, enquanto novas pessoas continuam sendo incluídas no programa de saúde.
O cenário mostra que, mesmo 25 anos depois dos ataques, as consequências do 11 de Setembro ainda permanecem presentes na saúde de milhares de pessoas que estiveram expostas à poeira, à fumaça e às substâncias liberadas após o desabamento das torres.