O banqueiro Daniel Vorcaro, principal investigado no caso do Banco Master, teria tomado conhecimento antecipado da operação que resultou em sua prisão em novembro de 2025. A informação consta em um relatório da Polícia Federal divulgado nesta quinta-feira (10), após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirar o sigilo de parte das investigações.
Segundo a PF, Vorcaro teria tentado deixar o Brasil na noite anterior à deflagração da Operação Compliance Zero. Ele foi preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto tentava embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. A operação foi deflagrada no dia seguinte.
De acordo com o relatório, a investigação era sigilosa, mas Vorcaro teria registrado em seu celular, dois dias antes da prisão, uma pergunta sobre uma possível proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável por autorizar medidas contra ele.
Para a Polícia Federal, o conhecimento prévio sobre o magistrado e outros integrantes da investigação indicaria um possível vazamento de informações.
O relatório também detalha movimentações feitas por Vorcaro no dia anterior à prisão.
Na manhã de 17 de novembro, o banqueiro teria recebido mensagens de seu advogado e informado que organizaria um voo. Ao mesmo tempo, manteve conversas relacionadas a uma reportagem sobre um processo envolvendo seu nome na Justiça Federal.
Segundo a PF, o advogado chegou a apresentar uma petição solicitando acesso aos inquéritos após tomar conhecimento da existência do processo por meio da reportagem.
Ainda naquele dia, Vorcaro manteve contato com servidores do Banco Central. A investigação aponta que eles teriam acesso a informações sobre reuniões e documentos do órgão e que poderiam ter repassado informações ao banqueiro.
A PF também avalia que Vorcaro teria tentado utilizar esses contatos para viabilizar uma reunião com um diretor do Banco Central antes da operação.
No relatório, a Polícia Federal afirma haver indícios de que Vorcaro e pessoas ligadas a ele teriam buscado antecipar informações sobre medidas judiciais e organizar uma possível saída do país antes da operação.
A investigação aponta ainda para possíveis articulações com pessoas ligadas a órgãos de controle.
As conclusões fazem parte do inquérito e representam a avaliação da Polícia Federal sobre os elementos reunidos até o momento. Eventuais responsabilidades ainda dependem do avanço das investigações e das decisões judiciais.
O ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o Banco Master no STF, determinou nesta quinta-feira a retirada do sigilo de documentos da investigação, após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
Parte do material, no entanto, permanece sob segredo de Justiça para não comprometer futuras diligências.
Entre os documentos que vieram a público estão informações sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, também do STF. O conteúdo e a validade desse material ainda são alvo de controvérsia no âmbito da investigação.
O caso continua sob análise das autoridades.