Comitê interinstitucional apresenta balanço das ações e anuncia novas ferramentas tecnológicas para ampliar investigações fiscais em 2026
O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (Cira-MG) apresentou o balanço das ações realizadas em 2025, que resultaram na recuperação de R$ 825 milhões aos cofres públicos, e anunciou que o uso de inteligência artificial será uma das principais estratégias no enfrentamento à sonegação fiscal e à criminalidade econômica a partir de 2026. O balanço foi divulgado nesta terça-feira (20), durante evento realizado no Prédio Tiradentes, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Os resultados são fruto da atuação integrada entre Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Advocacia-Geral do Estado (AGE) e forças de segurança.
Segundo os dados apresentados, as ações do Cira-MG em 2025 tiveram impacto direto no combate à sonegação fiscal, à lavagem de dinheiro e à macrocriminalidade econômica, com recuperação financeira decorrente de investigações, operações e medidas judiciais.
O MPMG, responsável pela Secretaria Executiva do comitê por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet), destacou a consolidação do modelo mineiro como referência nacional. “O Cira mineiro é hoje um exemplo de atuação integrada, técnica e resolutiva no enfrentamento da criminalidade tributária e econômica, que prejudica toda a sociedade”, afirmou a promotora de Justiça Janaína de Andrade Dauro, coordenadora do Caoet.
Entre as principais operações de 2025 estão a Ambiente 186 e a Sistema Paralelo. Deflagrada em dezembro, a operação Ambiente 186 teve como alvo atacadistas e redes de supermercados em Minas Gerais e apurou um esquema de sonegação superior a R$ 215 milhões em ICMS, além de crimes de lavagem de dinheiro. A ação resultou no bloqueio judicial de R$ 476,1 milhões em bens e valores. Já a operação Sistema Paralelo, realizada em abril, investigou um grupo econômico na região de Curvelo, com indícios de sonegação de cerca de R$ 14 milhões e outros crimes financeiros associados.
Outro foco de atuação foi o mercado de combustíveis. O Cira-MG coordenou a etapa mineira da Ação Nacional de Combate à Sonegação Fiscal e a Outros Ilícitos Econômicos, que fiscalizou 60 postos em 17 municípios, resultando em autuações, interdições e lavratura de autos de constatação.
Além das ações repressivas, o balanço destaca iniciativas preventivas, como campanhas educativas sobre concorrência leal e crimes tributários, realização de cursos e eventos especializados, além do lançamento do livro “O exemplo de Minas Gerais no combate à macrocriminalidade corporativa” e do Diagnóstico Nacional do Cira (2024/2025).
Para o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Paulo de Tarso Morais Filho, os resultados refletem o fortalecimento da atuação institucional. “Os resultados demonstram o compromisso do Ministério Público com a defesa da ordem econômica e com a justiça fiscal. Investir em inteligência, tecnologia e integração institucional é garantir investigações mais qualificadas, maior efetividade na recuperação de ativos e mais justiça social para a população mineira”, afirmou.
O encontro também marcou o anúncio de uma nova etapa para o Cira-MG em 2026, com o desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial, em parceria entre o MPMG e a SEF. As ferramentas permitirão o cruzamento inteligente de dados, identificação de padrões atípicos, análise de risco fiscal e financeiro e maior eficiência na recuperação de ativos. Os projetos estão em fase de prova de conceito, com resultados preliminares positivos.
Também está em fase final de testes o Sistema de Representação Fiscal, que vai integrar SEF, Ministério Público e AGE, com previsão de entrega oficial em abril de 2026, além da ampliação do compartilhamento de bases de dados, incluindo integração com a plataforma Aduna, do MPMG.
O vice-governador de Minas Gerais destacou o caráter interinstitucional do comitê e sua relevância como política de Estado. “O Cira é um trabalho efetivamente interinstitucional, sob a coordenação do Ministério Público e presidência do Executivo, com participação de equipes de todo o Estado que trabalham em conjunto de forma tão efetiva que somos referência nacional”, afirmou, ao ressaltar que o comitê também atua para garantir equilíbrio concorrencial no mercado.
Com planejamento em andamento e foco em inovação, o Cira-MG inicia 2026 consolidado como uma das principais experiências de cooperação institucional do país no enfrentamento à criminalidade econômica.