O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (18/3), reduzir a taxa básica de juros (Selic) para 14,75% ao ano - um corte de 0,25 ponto percentual. A redução já era esperada pelo mercado financeiro desde a primeira reunião do ano, realizada no dia 28 de janeiro. A taxa se manteve em 15% por cinco reuniões consecutivas, entre junho do ano passado e março deste ano. Ou seja, é a primeira mudança da Selic em nove meses. A última redução foi registrada em maio de 2024.
O boletim Focus, divulgado na segunda-feira (16/3), já trazia a expectativa de que a taxa seria reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. O boletim é divulgado semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Na reunião de janeiro, quando a taxa de 15% foi mantida, o Copom também já havia sinalizado que começaria a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantivesse sob controle e não houvesse surpresas no cenário econômico. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro ficou em 0,70%.
O corte, entretanto, foi menor do que o previsto anteriormente. Na semana passada, o mercado estimava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, mas o aumento das expectativas de inflação mudou este cenário. Entre as razões para esta revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, com o aumento no preço do petróleo pressionando a inflação futura.
Histórico e projeção para o futuro
Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho do ano passado, sendo mantida até março deste ano - quando caiu para 14,75%.
Agora, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica, até o final de 2026, é de 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.
O que é a Selic
É a taxa básica de juros da economia brasileira, definida por um comitê de especialistas do Banco Central. É o principal instrumento do BC para tentar conter o consumo e, consequentemente, a inflação do país.
Segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a inflação no Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação atingiu o acumulado de 4,26% em dezembro de 2025 e fechou o ano abaixo da meta do Banco Central (4,5%). Se a inflação se mantiver dentro do intervalo de tolerância do BC, a tendência é que a Selic seja ajustada para baixo nas próximas reuniões.
Crédito caro
O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central aumentou de 1,5% para 1,6% a projeção de crescimento para a economia em 2026.
O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,8% do PIB em 2026.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.
Fonte: O Tempo.