Os supermercados brasileiros não correm risco de sofrer um desabastecimento de produtos neste momento, mesmo que ocorram alterações no transporte rodoviário de cargas, aponta a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O conflito dos Estados Unidos, Israel e Irã têm impactado o setor de combustíveis do Brasil e uma movimentação dos caminhoneiros contra recentes altas no preço do diesel chegou a ser cogitada.
De acordo com o vice-presidente institucional da Abras, Marcio Milan, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (19/3), sobre o consumo dos lares brasileiros, basicamente toda a logística do setor supermercadista é através do transporte rodoviário.
A guerra e a consequente crise no Estreito de Ormuz, região localizada entre o Irã, Omã e os Emirados Árabes Unidos, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo no mundo, fez o barril do petróleo Brent disparar de preço, permanecendo em patamar superior a US$ 100.
Para reduzir os impactos da volatilidade dos preços internacionais no setor de combustíveis brasileiro, na última semana, o governo Lula (PT) zerou as alíquotas do PIS/Cofins sobre o diesel e instituiu uma subvenção para produtores e importadores do combustível, entre outras medidas. A série de medidas foi vista com bons olhos pelo vice-presidente da Abras.
Ainda assim, devido à guerra, a Petrobras reajustou seus preços de venda do diesel A para distribuidoras. Com a mistura obrigatória de biodiesel, o reajuste foi equivalente a R$ 0,32/l sobre o diesel B, que é comercializado nos postos.
O reajuste colocou em estado de atenção um segmento irmão do setor supermercadista: o atacadista e distribuidor. A Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) projetou impacto direto nos custos logísticos. Segundo a Abad, o frete compromete, em média, entre 4% e 5% da estrutura de custos das empresas atacadistas e distribuidoras.
Mas antes do reajuste, a especulação nos preços do diesel com o conflito no Irã já afetava as transportadoras, um setor essencial para atacadistas, distribuidores e supermercados.
Segundo estimativas do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), as altas registradas nos preços com o início do conflito já reduziram as margens de lucro das transportadoras em até 4%. A entidade aponta que o gasto com o diesel representa de 35% a 40% do custo total do frete.
Em meio a esse cenário, lideranças de caminhoneiros ensaiaram a possibilidade de uma paralisação nacional. Mas o vice-presidente da Abras destaca que, neste momento, os supermercados estão bem abastecidos de produtos e, mesmo com uma possível paralisação dos caminhoneiros, os estabelecimentos não ficarão desabastecidos.
“Nós temos uma situação bastante estável e tranquila, porque toda a programação de compra, que ocorre naturalmente, tudo isso tem tido o abastecimento normal. Não tem nenhum risco de abastecimento, porque as lojas estão abastecidas, principalmente para o período da Páscoa. Basicamente todos os supermercados já receberam os produtos, então não há nenhum risco de desabastecimento”, explicou.
Fonte: O Tempo.