As mudanças impostas pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) impuseram adaptações a muitas pessoas, empresários e comerciantes para manter seus negócios. Para não amargar prejuízo sem fim, alternativas têm sido adotadas para continuar no mercado e atendendo com qualidade.
Ildeu Menezes é empresário e está no mercado há quase 30 anos, com nove lojas abertas em Uberaba, com comércio de confecções, calçados, cama, mesa e banho. Ele conta que nunca viveu nada igual. Ele é mais um empresário que viu a faturamento despencar após o início da pandemia, com a imposição do distanciamento social e de uma série de restrições de circulação e funcionamento dos estabelecimentos comerciais.
“O momento é assustador! No mês de abril faturamos apenas 20% do total esperado e neste mês não será muito diferente. Percebemos que não adianta ficar olhando para o que está acontecendo sem reação. Fizemos alguns ajustes e continuamos trabalhando e muito”, conta o empresário.
Ainda de acordo com ele, as ferramentas digitais, que antes eram usadas nas lojas somente para fazer propagandas e para mostrar os produtos agora serão utilizadas para fazer transações comerciais. “Sempre fizemos um marketing com atualização com efeito de propaganda, mas a pandemia nos coloca de frente com o e-commerce e já começamos a operar. Temos a intenção de fazer crescer, porque entendemos que esse é um caminho sem volta e cada vez mais temos que nos especializar em atrair e atender com qualidade o cliente”, aponta.
O atual cenário está também fazendo os empreendedores repensarem suas prioridades e recalcular custos. A empresária Lumi Machado Ito montou uma loja de calçados e bolsas femininas há pouco mais de um ano e, na contramão do que muitos comerciantes têm feito nesse momento, manteve o quadro de colaboradores, oferecendo atendimento personalizado, com entrega imediata, gratuita e facilidade de pagamento online.
“Mesmo em meio ao caos conseguimos estabelecer algumas estratégias de atendimento, o que significou 20% de toda as vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Fico feliz com esse resultado porque significa que está dando certo e sem a ajuda de toda equipe não teríamos chegado nesse resultado”, comemora a empresária.
Ainda de acordo com Lumi, foi preciso se reinventar para os atendimentos. “Hoje trabalhamos com o delivery de sapatos: a cliente escolhe o modelo no site ou em nossas redes sociais, confirmamos a disponibilidade da numeração no estoque, buscamos na loja e ela escolhe a forma de pagamento. Temos ainda um aplicativo para que o pagamento seja feito online, no próprio telefone celular da cliente", explica.
Segundo a empresária, para garantir a segurança pessoal e dos clientes, os gestores adotaram medidas de segurança, como o uso de luvas, máscaras e álcool em gel. “Os produtos passam por severo processo de higienização”.
Segundo o analista do Sebrae Marcius Marques, os dois empresários estão no caminho certo.
“Estamos passando por um momento complicado, em que o empresário precisa se reinventar e essa reinvenção não tem outra forma que não seja a digital, como procurando meios de comercialização via internet, e-commerce e redes sociais. Esse processo era inevitável, mas foi antecipado pela pandemia. Além de ter todos os cuidados na gestão de sua atividade é preciso buscar uma inovação no atendimento qualificado, marketing digital e vendas”, explica.