Preocupados com a crise econômica mundial, líderes sindicais de diferentes segmentos da indústria de Uberaba participam, nesta semana, do III Encontro Nacional da Indústria (Enai), que acontecerá em Brasília. O evento, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), se consolida como a principal convenção do setor, reunindo lideranças de entidades classistas de todos os estados brasileiros.
Em outros anos, a reunião serviu de parâmetro para o empresariado conhecer os avanços de cada setor, as dificuldades e trocar experiências sobre novidades, tecnologias e investimentos. Dessa vez, o foco do Enai deve fugir do convencional, diante dos reflexos da queda das bolsas, oscilação do dólar e quebra de bancos internacionais.
Apreensivos, os líderes classistas esperam que o Encontro sirva de fonte de conhecimentos sobre a crise na economia, possíveis efeitos ao Brasil e em específico para os setores que dependem de importação.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Mecânica na cidade, Marcos Tsuzuki Godoy, o mercado no segmento está voltado para a China e, na dependência de peças vindas de fora, quem já está com o estoque de autopeças pequeno pode enfrentar maus momentos neste fim de ano.
"Tivemos informação de que um porto seco no Estado de Goiás já contabiliza contêineres parados com peças importadas para mecânica. Isso é um reflexo da apreensão do importador que bota o pé no freio diante dos preços reajustados, depois da reação do dólar. Até quem trabalha com planejamento de compra em longo prazo se vê em risco de ser afetado pela crise", afirmou Godoy, que vai pela primeira vez ao Enai.
Proprietário de loja especializada em mecânica de freios, Marcos disse que, apesar de muitas peças utilizadas já serem produzidas no Brasil, alguns sistemas de freio e injeção eletrônica dependem de itens importados, ou seja, "não há outra saída se não nos munirmos de informações sobre como driblar a crise e enfrentar o mau momento de cabeça erguida".
Do ramo moveleiro, o presidente do Sindicato da Indústria da Marcenaria e Serralheria de Uberaba, José Maria Pereira, que também marcará presença no Encontro, revela que os efeitos da crise já batem à porta do setor. "Estamos ligados diretamente à construção civil e nosso produto é o último a entrar nas casas. Com a freada nos pequenos, médios e grandes empreendimentos mobiliários da cidade, devido à crise mundial, perdemos espaço no mercado e produção menor pode refletir em cortes e prejuízos", salientou.
A pretensão do grupo de sindicalistas é retornar do Enai com boas notícias para os diversos setores da indústria ou pelo menos com alternativas para a superação de obstáculos ao desenvolvimento do setor industrial.