O período pós-Carnaval costuma trazer reflexos diretos no orçamento das famílias, principalmente pelo aumento do uso do crédito. Segundo o economista Marco Antônio Nogueira, o principal vilão continua sendo o cartão, que lidera o ranking das dívidas não apenas após as festas, mas ao longo de todo o ano.
Apesar do aumento das despesas nesse período, Marco Antônio destaca que o ideal seria que o orçamento já estivesse planejado previamente, já que o início do ano concentra compromissos como matrículas escolares, IPTU, IPVA e até dívidas herdadas do ano anterior. “O primeiro passo é renegociar as dívidas, alongar prazos, reduzir gastos e buscar elevar as receitas pessoais”, afirma.
Para reorganizar as finanças, o economista recomenda priorizar despesas essenciais utilizando a chamada metodologia ABCD, que classifica os gastos conforme a importância. Os itens do grupo A são indispensáveis e devem ser pagos primeiro, enquanto os demais podem ser reduzidos, renegociados ou adiados. “Para pagar o essencial, a pessoa precisa rever os outros gastos, especialmente dívidas no cartão de crédito ou de lojas, sempre analisando as taxas de juros embutidas”, explica. Em situações mais críticas, ele não descarta até a venda de algum bem para reequilibrar o orçamento.
Entre os hábitos mais simples e também mais eficazes para evitar novos excessos está o controle detalhado das despesas. “Anotar tudo é fundamental. Sem saber para onde está indo o dinheiro, não há como controlar nem planejar o futuro”, orienta.
O economista reforça a importância de manter uma reserva de emergência, não apenas para períodos de gastos elevados, mas para qualquer imprevisto. Segundo Marco Antônio, o dinheiro precisa atender a três objetivos essenciais: possibilitar qualidade de vida no presente, assegurar estabilidade no futuro e servir de proteção diante de imprevistos.
Para o restante do ano, a principal estratégia indicada é investir em educação financeira pessoal, com mudança de hábitos e uso de ferramentas simples de planejamento. “Finanças pessoais têm muito de comportamento. A educação financeira ajuda a mudar atitudes e criar disciplina”, ressalta.
Marco Antônio chama atenção ainda para o peso das obrigações no início do ano. Segundo ele, até meados de maio o brasileiro trabalha, em média, cerca de 152 dias para pagar impostos, taxas e contribuições, além de aproximadamente quatro meses destinados à quitação ou renegociação de dívidas. “Sem educação financeira, sobra muito pouco de liberdade financeira. É ela que permite reorganizar a vida e evitar novos ciclos de endividamento”, conclui.