Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nos próximos dias. Países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio, o maior do gênero no mundo, que reunirá um mercado estimado de 722 milhões de consumidores nos dois continentes, incluindo 270 milhões na América do Sul. A França não concorda, mas tudo indica que a decisão da maioria deve prevalecer. Consumidores brasileiros podem ser beneficiados com redução de tarifas de produtos europeus apreciados no Brasil, como vinhos, queijos nobres, chocolates premium e azeites.
"Apesar de haver temores de um possível recuo europeu, diversos setores estão animados com a possibilidade da conclusão dessa parceria. Com um “empurrãozinho” do tarifaço de Donald Trump, os blocos buscam se proteger e mitigar os efeitos das sanções aplicadas pelo presidente americano, mesmo que a longo prazo, e deve trazer benefícios diretos para os consumidores brasileiros”, explica Jackson Campos, especialista em comércio exterior e relações governamentais.
Fabrizio Gammino, sócio da Grownt, especialista em comércio exterior, explica que a promessa de eliminar ou reduzir tarifas para mais de 90% dos produtos negociados abre um leque de oportunidades. Contudo, segundo ele, os benefícios não são distribuídos de forma homogênea entre todos os segmentos da economia. “Fatores como as barreiras tarifárias atuais, a natureza estratégica dos produtos e a dinâmica das cadeias de valor globais determinam quais setores realmente colherão os frutos mais valiosos”, disse.
Mas ele ressalta que setores como o de carnes se beneficiam de uma drástica melhoria de margem, já que entraram com mais facilidade na Europa. “Outros, como papel e celulose e mineração, ganham em posicionamento estratégico e acesso a mercados premium. Já para os setores de calçados e bens de capital, o tratado representa, respectivamente, a derrubada de barreiras significativas e uma porta de entrada para as cadeias de valor mais sofisticadas do mundo”, completa.
Se oficializado, o acordo entre os blocos deve causar aumento da oferta e da qualidade dos produtos dentro do Brasil, causando uma queda nos preços e maior variedade de produtos nas gôndolas. Jackson Campos afirma que o consumidor é o principal beneficiado com a união dos blocos. “Quanto mais oferta tivermos aqui no Brasil, mais o preço deve cair e aumentar o poder de compra dos brasileiros. O grande trunfo é o aumento da variedade de produtos. Diversos segmentos, nos dois lados do acordo, terão que aumentar a qualidade da produção por conta do produto externo, trazendo ainda mais competitividade para o mercado. Há muito a se valorizar nessas negociações”, explica Campos.
O especialista lembra segmentos que devem ser diretamente beneficiados com o acordo entre Mercosul e UE:
Fonte: O Tempo