Foto divulgação
A coletiva de imprensa foi concedida nessa sexta-feira (26), em uma sala na sede da Polícia Federal, em Curitiba, onde o ex-presidente está preso. O ex-presidente comentou sobre o governo Bolsonaro, a morte do neto Pedro Arthur e ironizou o ex-juiz e hoje ministro Sérgio Moro, primeiro a condená-lo no caso do Triplex.
Depois de uma batalha judicial que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), os jornais Folha de S. Paulo e El País tiveram autorização para entrevistar o ex-presidente em uma sala na sede da Polícia Federal, em Curitiba. As equipes de jornalistas tiveram duas horas e dez minutos para conversar com o petista, a uma distância de quatro metros – justificada como uma norma de segurança padrão.
Ao comentar sobre a morte do neto, Pedro Arthur, aos sete anos, há pouco mais de um mês, Lula chorou. " Eu já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar o meu neto viver". Nesse momento, segundo o jornal, o ex-presidente aproveitou para a agradecer o comportamento do vice-presidente, Hamilton Mourão, no episódio. O vice defendeu que a Justiça autorizasse a ida de Lula ao velório, ao contrário de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, que usou o Twitter para dizer que o petista queria se “vitimar” com a morte do neto.
Em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que "ou ele constrói um partido sólido, ou não perdura". "Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso", afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de ficar preso ainda por vários anos, Lula afirmou que “não tem problema” e completou que dorme com a “consciência tranquila”, ao contrário do Deltran Dallagnol (procurador do Ministério Público, um dos coordenadores da Lava-Jato) e do ex-juiz Sérgio Moro (atualmente ministro da Justiça).
“Eu tenho tanta obsessão de desmascarar o Moro, demascarar o Dellagnol e a sua turma, e desmascarar aqueles que me condenaram, que eu ficarei preso 100 anos, mas eu não trocarei minha liberdade pela minha dignidade. Eu quero provar a farsa montada aqui”, afirmou.