Economistas e comerciantes preveem quedas nas vendas diante da retomada do Imposto sobre Produtos...
Economistas e comerciantes preveem quedas nas vendas diante da retomada do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros novos. A alíquota zero para carros mil acabou. Até março, será de 2%. De abril a julho subirá para 3,5%. Para concessionárias que ainda possuem veículos no estoque, a preocupação é somente para fevereiro. Para aquelas que não têm estoque, existe a possibilidade de queda nas vendas.
De acordo com o economista Marco Antonio Nogueira, o que vai acontecer neste primeiro momento é uma queda no volume de vendas, não apenas por conta do aumento gradativo do IPI, mas também pela antecipação da compra do carro. Muitos já garantiram o veículo zero, pois o prazo da alíquota zero já era para ter encerrado antes. Com isso, muitos compraram o carro para não perder o benefício.
“Essa antecipação da compra vai fazer, principalmente no primeiro semestre, com que haja queda no volume de vendas. Porém, acredito que as concessionárias e montadoras devem criar linhas de crédito e investir fortemente no marketing para não perder a clientela”, explica Marco Antonio. Ele ressalta que o aumento no imposto não é uma quantia tão significativa, principalmente para aquelas pessoas que vão comprar a prazo, em que o acréscimo de alguns valores não é sentido.
Por sua vez, Washington Luís Ribeiro, gerente de vendas de concessionária, explica que os empresários acreditam que terá queda nas vendas no início, pois o aumento não é apenas no IPI, mas também na margem de lucro das montadoras, que acompanharam a redução do imposto e também diminuíram a margem. Portanto, agora as montadoras devem subir os valores.
“Realmente, terá um impacto no início, mas acredito que as concessionárias estão com estoque bastante cheio de veículos que foram adquiridos com a alíquota zero, sendo possível trabalhar com o preço mais baixo por mais um mês, pelo menos”, explica o gerente. Ele frisa que a queda, caso realmente aconteça, deverá ser no mês de fevereiro.
Vale lembrar que a redução no imposto foi oferecida pelo Governo Federal, no intuito de movimentar a economia no país. Mas, segundo Marco Antonio, o objetivo não foi alcançado. “Foi um custo muito grande, inclusive para os municípios. Houve menos repasse de recursos. Se entendemos que a economia deve crescer quase 1% este ano, a redução no IPI não contribuiu tanto para que houvesse um incremento na riqueza. Não fez crescer a economia como esperava”, afirma.