Como derivados do petróleo, os produtos de plástico já sofrem aumentos expressivos nos preços devido aos impactos da guerra no Irã e a crise no Estreito de Ormuz. Segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), o custo da matéria-prima subiu 60% com o início do conflito e ameaçam impactar todo o restante dos produtos consumidos pela população, até mesmo aqueles que não são embalados em plástico.
Uma das principais razões para um impacto tão forte, aponta o presidente do conselho da Abiplast, José Ricardo Roriz Coelho, começa com o fato de que a indústria de fabricação do plástico ter praticamente apenas uma fornecedora de resina de polietileno no país, a Braskem. E mesmo com essa concentração, a empresa não tem capacidade de atender a demanda nacional, o que exige que o setor importe 35% do consumo do país.
A crise no Estreito de Ormuz, região localizada entre Irã, Omã e Emirados Árabes Unidos, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo no mundo, fez o preço do barril do petróleo Brent disparar, permanecendo em patamar superior a US$ 100. A cotação maior do insumo principal das resinas plásticas impacta diretamente a produção de produtos de plástico.
Com a maior parte da demanda por matéria-prima concentrada em um único fornecedor local e o restante sendo por importação, o setor ainda tem de enfrentar a imposição do direito antidumping sobre as resinas de polietileno dos Estados Unidos e Canadá. O presidente do conselho da Abiplast aponta que a sobretaxa, feita para proteger a indústria nacional, praticamente inviabiliza a importação de resinas plásticas dos dois países.
Leia mais. Petrobras abre mão de assumir controle da petroquímica Braskem
“O resultado disso é que os preços de matérias-primas já aumentaram 60%. E todos os setores da economia usam muito plástico, ele está disseminado na economia. Você está impactando a economia como um todo, aumentando a inflação”, argumenta Roriz Coelho.
Neste momento, com a oscilação do petróleo no cenário internacional, o efeito da tarifa antidumping pode jogar contra o setor que fabrica desde as sacolas do supermercado, até os potes e outros utensílios, além das embalagens dos próprios produtos.
O presidente da Abiplast explica que 70% dos produtos dos supermercados são embalados em plástico. A embalagem propriamente dita tem um custo calculado entre 15% e 25% do produto. Um aumento de 60% no preço do plástico, portanto, tem impacto direto nos produtos vendidos nas prateleiras dos supermercados.
O executivo aponta ainda que este ano tem Copa do Mundo, o que impulsiona o consumo de bebidas alcoólicas em casa, em festas e eventos particulares e públicos. Mesmo que boa parte do consumo seja realizada em recipientes com embalagens de metal, as latinhas são transportadas em conjuntos embalados em plástico durante toda a cadeia produtiva.
Ou seja, nem mesmo produtos que não são embalados em plástico, como uma cervejinha, conseguiriam escapar do aumento dos preços das resinas plásticas.
Fonte: O Tempo