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Golpe do Pix pelo WhatsApp: como proteger a conta antes que seja tarde

Publicado em 23/10/2026 às 11:02
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A mensagem chega no fim da tarde: "Oi, mãe, troquei de número, salva esse aqui". Minutos depois vem o pedido. Uma conta para pagar hoje, um boleto que vence, um Pix rápido que "amanhã eu devolvo". Em Juazeiro, Petrolina e em todo o Vale do São Francisco, quase todo mundo conhece alguém que recebeu um recado assim. Muita gente reconhece o golpe na hora. Outras pessoas só percebem quando o dinheiro já saiu da conta e não tem mais volta.

Como o golpe funciona

Existem duas versões principais. Na primeira, o golpista cria um perfil novo com a foto de um parente, copiada das redes sociais, e se apresenta como se tivesse trocado de número. Na segunda, mais perigosa, ele assume a conta verdadeira da vítima. Para isso, convence a pessoa a passar o código de seis dígitos que o WhatsApp envia por SMS, com uma desculpa qualquer: confirmação de cadastro, prêmio de sorteio, pesquisa de satisfação ou atualização de dados.

Com o código em mãos, o criminoso instala o WhatsApp da vítima em outro aparelho e passa a conversar com todos os contatos dela. Como a mensagem vem do número de sempre, a desconfiança praticamente some. Os pedidos de Pix começam em poucos minutos, quase sempre com valores que parecem pequenos o bastante para ninguém questionar.

Há ainda uma variação que mira quem vende pela internet. O golpista se passa por comprador interessado, pede para "confirmar o cadastro" na plataforma de vendas e envia um código que, na verdade, é o de ativação do WhatsApp do vendedor. Pequenos comerciantes que atendem clientes pelo aplicativo, comuns em Juazeiro e Petrolina, estão entre os alvos preferidos, porque perder o número significa também perder o canal de vendas.

Por que o Pix virou o alvo preferido

O Pix é rápido, funciona a qualquer hora e caiu no gosto do brasileiro. Essas mesmas qualidades atraem os golpistas: o dinheiro chega na hora e é transferido para outras contas em minutos, o que dificulta qualquer tentativa de recuperação. Muitas vezes a chave de destino está no nome de um "laranja", alguém que emprestou ou vendeu a conta para o esquema.

O golpe também depende de informação. Nome, telefone e lista de familiares ajudam a montar uma história convincente, e boa parte desses dados sai de vazamentos. Quem quiser saber se o próprio e-mail ou alguma senha já apareceu em bases expostas pode usar as checagens gratuitas que a redação do Cybernews disponibiliza, ao lado das reportagens sobre vazamentos e golpes digitais.

Proteja a conta do WhatsApp agora

O passo mais importante leva menos de um minuto: ativar a confirmação em duas etapas, em Configurações, depois Conta. O aplicativo pede um PIN de seis dígitos que você escolhe e que será exigido sempre que alguém tentar registrar o seu número em outro celular. Mesmo que o golpista consiga o código do SMS, sem o PIN ele não entra. Cadastre também um e-mail de recuperação.

Outra regra simples: o código de verificação do WhatsApp nunca deve ser compartilhado, nem com amigos, nem com supostos atendentes de banco ou de loja. Vale ainda restringir quem pode ver sua foto de perfil e seu recado, deixando visível apenas para os contatos. Tudo isso está explicado na central de ajuda do WhatsApp, em português.

Antes de mandar qualquer Pix

Combine com a família uma regra fixa: pedido de dinheiro por mensagem só é atendido depois de uma ligação de voz para o número antigo e conhecido. Se a pessoa disser que o número antigo "não funciona", desconfie ainda mais. Uma pergunta que só o parente verdadeiro saberia responder também ajuda a desmontar a farsa.

Preste atenção no nome que aparece na confirmação do Pix antes de concluir. Se o seu filho pede dinheiro e o destinatário é um desconhecido, pare. Muitos bancos permitem definir limites menores para Pix noturno e para transferências a contas novas, um ajuste que reduz o tamanho do prejuízo caso algo dê errado.

Para os mais velhos da família, vale sentar junto e configurar o celular: ativar a confirmação em duas etapas, revisar a privacidade da foto de perfil e salvar os números dos filhos e netos com nomes claros. Uma conversa de dez minutos com exemplos de mensagens falsas costuma proteger mais do que qualquer aviso genérico.

Se o golpe já aconteceu

Ligue imediatamente para o seu banco e informe que fez um Pix para um golpista. O Banco Central criou o Mecanismo Especial de Devolução, o MED, que permite à instituição pedir o bloqueio dos valores na conta de destino quando há suspeita de fraude. Quanto mais rápido o aviso, maiores as chances de recuperar alguma parte do dinheiro.

Registre um boletim de ocorrência, que em muitos estados pode ser feito pela internet, e guarde prints das conversas e o comprovante da transferência. Se a sua conta de WhatsApp foi tomada, reinstale o aplicativo e confirme o seu número para expulsar o invasor, e avise os contatos por outros canais para que ninguém mais caia.

Falar sobre o assunto, sem vergonha, também protege. Quanto mais gente souber como o golpe funciona, menos espaço ele encontra nas conversas de família.

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