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Incivilidade no trabalho: o que é e como se proteger

Grosserias, insultos, brincadeiras inadequadas são situações comuns para você?

Fernanda Bottoni
Publicado em 22/08/2018 às 16:57Atualizado em 17/12/2022 às 12:45
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Embora o termo workplace incivility, no original em inglês, ainda não seja muito utilizado no Brasil, a situação é velha conhecida de muitos profissionais que convivem com grosserias, gritos, insultos, comentários depreciativos e brincadeiras inadequadas no ambiente de trabalho.

Por aqui, é comum que esse comportamento seja tratado como “assédio moral”. No entanto, o assédio moral de fato ocorre somente entre superior e subordinado. A incivilidade, por outro lado, pode ocorrer entre pessoas do mesmo nível, com fornecedores, superiores e clientes.

O que é incivilidade no trabalho

O coach Silvio Celestino resume a incivilidade como falta de temperança de um indivíduo com outro, principalmente em situações que geram frustrações, raivas e outras emoções negativas. Audrey J. Murrell, diretora do Centro David Berg de Ética e Liderança da Faculdade de Administração de Empresas da Universidade de Pittsburgh, define a incivilidade no trabalho como uma forma de assédio psicológico e agressão emocional que viola a norma social de respeito mútuo. “Quer seja feito com ou sem intenção consciente, a incivilidade no local de trabalho é onerosa para o resultado final e para a psique emocional”, afirma, em artigo da Forbes.

O grande problema, segundo a especialista norte-americana, é que a incivilidade não costuma ser abordada até que as consequências negativas alcancem níveis inaceitáveis. “No Brasil, há uma supervalorização de dois fatores que favorecem a incivilidade”, afirma Celestino. O primeiro é o favorecimento da juventude e das emoções em detrimento à maturidade e à temperança. O segundo, mais óbvio, é a crise econômica e consequente estresse que ela provoca. “A pressão por resultados, a imaturidade de profissionais que muito cedo alcançam cargos de liderança, a baixa resiliência das pessoas, tudo isso tem causado um aumento da incivilidade”, acredita ele.

Situações desse tipo costumam ocorrer em momentos em que a realidade expõe a ausência de resultados de uma pessoa ou equipe, quando algo dá errado e ninguém quer assumir a sua responsabilidade, parcial ou completa, pela situação e, principalmente, quando pessoas tentam jogar a culpa em alguém por um erro ou prejuízo.

“Seja como for, não há como negar que a ascensão da incivilidade é um dos mais sérios problemas contemporâneos enfrentados pelas organizações”, afirma Audrey. E não é apenas impressão. Um estudo publicado pela revista Fortune indica que as empresas norte-americanas gastam 13% de seu tempo lidando com as consequências incendiárias da incivilidade no local de trabalho.

Efeitos da incivilidade no ambiente corporativo

De acordo com Celestino, alguns dos efeitos da incivilidade sobre suas vítimas são perda de energia, estresse e, nos casos, mais graves, doenças como a síndrome do pânico. “Para quem provoca há também um desgaste excessivo, perda da credibilidade e de possibilidades de carreira futura”, afirma.

Para a empresa, há prejuízos também. “Se um cliente presenciar uma cena de incivilidade, pode associar à marca da companhia e evitar comprar seus produtos”, exemplifica ele. “Pior que isso, pode filmar e contar para outros como seus líderes e profissionais são na realidade.”

Como lidar com a incivilidade no trabalho

Para se proteger dessas situações, Celestino dá algumas dicas.

1 – Não repita o comportamento do agressor: O principal é não entrar na mesma incivilidade da pessoa, mas tentar responder de maneira firme e tão elegante quanto possível. “É importante demonstrar a quem está agredindo que você não tem medo disso e que a incivilidade com você não funciona”, afirma.

2 – Converse com o RH: Dependendo da cultura da empresa, vale a pena comunicar o comportamento da pessoa ao RH, ou ao chefe dela. Deixe claro que você não aceita ser tratado deste modo. “Se a incivilidade se repetir, insista no pedido para ser tratado de maneira educada”, recomenda.

3 – Considere a possibilidade de procurar outro empreg Se você estiver sofrendo com situações de agressão desse tipo e perceber que nenhuma atitude sua é capaz de mudar o comportamento da pessoa – e que ninguém relevante na empresa está se importando, a dica do coach é clara. “Caia fora”, diz ele. “Não permaneça em um ambiente que custa sua saúde”, alerta. Ficar sem emprego não é o pior que pode acontecer com você. “O pior seria ficar sem saúde e, principalmente, sem sua paz de espírito.”

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