Estudante reprovado no 3º ano tentava vaga no curso de Enfermagem pelo Sisu e admitiu ter editado os documentos
Um candidato suspeito de adulterar históricos escolares para conseguir uma vaga no curso de Enfermagem da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF). A situação veio à tona em janeiro de 2022, durante a matrícula pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
De acordo com a denúncia, o estudante havia sido reprovado no terceiro ano do ensino médio, mas apresentou à universidade documentos que indicavam a conclusão da etapa escolar.
Convocado pela lista de espera, ele entregou um primeiro histórico com notas insuficientes em disciplinas como Língua Portuguesa e Sociologia, além de inconsistências nos períodos letivos. Notificado a regularizar a documentação, enviou novos arquivos com notas elevadas acima do mínimo exigido e alterações nos anos escolares.
A equipe de matrícula percebeu que os documentos mantinham os mesmos códigos de barras e a mesma posição das assinaturas do primeiro arquivo. A UFU concedeu novo prazo, mas o candidato apresentou um terceiro histórico também com informações falsas.
Diante das irregularidades, a universidade consultou diretamente a escola de ensino médio. A instituição confirmou a reprovação do aluno no terceiro ano e informou que nunca havia emitido documentos com as alterações apresentadas. A matrícula acabou indeferida.
Em interrogatório conduzido pela Polícia Federal (PF), o investigado admitiu ter editado digitalmente os arquivos para tentar a vaga no ensino superior, segundo a denúncia.
O MPF enquadrou a conduta como uso de documento público falso, considerando também a continuidade delitiva, que trata da prática de crimes da mesma espécie em sequência e sob condições semelhantes.
Antes da denúncia, o órgão havia firmado com o investigado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), instrumento que pode evitar um processo criminal quando cumpridas certas condições. O estudante se comprometeu a prestar serviços à comunidade por seis meses, sete horas por semana, e a concluir formalmente o ensino médio no mesmo período.
Conforme o MPF, o acordo foi cancelado após o descumprimento das obrigações e a falta de manifestação do investigado, mesmo depois de notificação pessoal. Com o encerramento do ANPP, a denúncia seguiu adiante.