FIM DO PEDÁGIO?

MPF pede suspensão de cobrança manual de pedágio para motos

Justiça analisa ação que cobra pagamento automático, possível isenção ou faixas exclusivas para motociclistas no Triângulo

Da redação
Publicado em 01/10/2026 às 14:14Atualizado em 02/10/2026 às 09:19
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A forma de cobrança de pedágio para motociclistas nas rodovias do Triângulo Mineiro está sob análise da Justiça Federal. Em ação civil pública, o Ministério Público Federal (MPF) pede o fim da obrigatoriedade de parada das motos para pagamento manual nas cabines e defende a adoção de cobrança automática ou, alternativamente, de estruturas exclusivas e segregadas para a categoria. A EPR Triângulo, uma das concessionárias acionadas, informou que já apresentou manifestação no processo e sustenta que o modelo atualmente utilizado segue o contrato de concessão e a regulamentação vigente.

A ação foi ajuizada em agosto contra a União, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e as concessionárias EPR Triângulo, Ecovias do Cerrado e Ecovias Minas Goiás. O caso tramita sob o número 6015972-28.2026.4.06.3803/MG e aguarda análise do pedido de liminar.

O MPF argumenta que o problema central não é o valor do pedágio, mas a diferença nas condições oferecidas aos usuários. Enquanto carros, ônibus e caminhões podem utilizar sistemas eletrônicos e atravessar as praças sem parada para pagamento, motociclistas sujeitos à tarifa precisam utilizar as cabines e fazer o pagamento manualmente.

Segundo o órgão, a operação exige que o condutor reduza a velocidade, pare a motocicleta, manuseie dinheiro ou cartão e depois retome o tráfego em ambiente compartilhado com veículos de maior porte, o que representaria risco adicional à segurança.

Entre os pedidos feitos à Justiça, o MPF quer que União e ANTT abram procedimento, no prazo de 30 dias, para avaliar a possibilidade de isenção ou implantação de cobrança automática para motocicletas, com apresentação de plano de trabalho em até 90 dias.

Enquanto não houver uma solução automática equivalente, o Ministério Público pede a suspensão da cobrança manual. Como alternativa durante o período de transição, requer que as concessionárias implantem, em até dez dias, faixas ou corredores próprios, segregados e sinalizados para motociclistas.

A ação também propõe a revisão da política federal para cobrança de motos nos contratos de concessão. Atualmente, há contratos mais antigos que preveem tarifa para a categoria, enquanto concessões mais recentes adotam isenção.

O MPF pede ainda indenização mínima de R$ 25 milhões por dano moral coletivo, sob o argumento de que motociclistas vêm sendo expostos reiteradamente a riscos nas praças de pedágio. Os pedidos ainda não foram julgados.

EPR diz que cobrança segue contrato

Em manifestação encaminhada ao JM, a EPR Triângulo afirmou ter tomado conhecimento da ação e já ter apresentado sua posição no processo.

A concessionária informou que, nas praças sob sua administração, os motociclistas contam com cabines manuais e de autoatendimento e podem efetuar o pagamento em dinheiro ou cartão. Segundo a empresa, a cobrança segue as regras previstas no contrato de concessão e na regulamentação aplicável.

A EPR confirmou, porém, que o modelo atual não contempla cobrança automática de motocicletas por dispositivo eletrônico.

Segundo a concessionária, sistemas como os pórticos de livre passagem, conhecidos como pedágio eletrônico ou free flow, podem futuramente permitir a cobrança sem necessidade de parada. Uma eventual mudança, entretanto, dependeria das condições do contrato, da regulamentação e de tratativas com a agência reguladora responsável.

A empresa afirmou ainda manter compromisso com a segurança dos usuários, a transparência e o cumprimento das obrigações contratuais.

A EPR Triângulo administra oito praças de pedágio na região, entre elas a instalada na CMG-452, no km 186,4, em Uberaba. Até o momento, não houve decisão judicial alterando a forma de cobrança e, portanto, o sistema atual permanece em vigor.

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