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Mulheres ganham menos que os homens também no trabalho remoto

Publicado em 22/06/2020 às 16:54Atualizado em 18/12/2022 às 07:14
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Foto Andrea Piacquadio/Pexels

Com a pandemia do novo coronavírus, muitas pessoas passaram a trabalhar remotamente, visando diminuir o contato social. Esta ascensão do trabalho em casa suscitou discussões sobre o regime home-office. Uma pesquisa recente mostrou que mesmo que o regime de trabalho seja diferente, o fato de as mulheres terem menor remuneração ainda permanece.

O estudo foi realizado pela Owl Labs, empresa de videoconferências, e levou em consideração entrevistas realizadas com 1.598 profissionais estadunidenses. A principal conclusão foi que, mesmo no trabalho remoto, as mulheres ganham menos do que os homens. Os homens que trabalham em casa em tempo integral têm 157% a mais de chances de obter um faturamento anual de U$100 mil do que as mulheres.

Quando levada em conta a condição familiar dos trabalhadores, a situação fica ainda mais desigual: homens com filhos têm três vezes mais chances de atingir o faturamento anual de U$100 mil do que as mulheres com filhos.

No Brasil, muitas mães estão experimentando essa situação pela primeira vez. Além de ganhar menos, as mulheres que estão fazendo home-office por conta da pandemia ainda se veem obrigadas a praticar uma jornada de trabalho tripla, lutando para dividir o tempo entre o serviço, as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos. Em 2018, uma pesquisa do IBGE mostrou que as mulheres dedicam 21,3 horas semanais entre os filhos e a casa, enquanto os homens gastam apenas 10,9 horas semanais com estas obrigações – muito mais trabalho e com ganhos muito menores.

A Owl Labs justificou a importância do estudo ressaltando que, em geral, para que as mulheres obtenham o mesmo faturamento médio anual dos homens, o ano delas deveria acabar em 31 de março. Ou seja, levam 456 dias para ganhar o que os homens ganham em 365, de acordo com os dados do último ano. Indo além dos gêneros, a empresa ainda concluiu que aqueles que trabalham remotamente em tempo integral têm 21% mais chances de serem mais bem pagos do que os que trabalham presencialmente.

Editora de finanças para mulheres do UniversoDelas, Márcia Cristina afirma que essa desigualdade entre os gêneros se reflete até no mercado de crédito, pois, em média, as mulheres têm acesso a menores valores em empréstimos e ainda pagam juros mais altos. Para ela, a situação desequilibrada fica ainda mais revoltante quando são vistas as taxas de inadimplência, que é quase 1% maior entre os homens.

Anualmente, o Fórum Econômico Mundial divulga seus dados sobre a igualdade salarial. Em 2019, os números foram preocupantes: a desigualdade de remuneração entre homens e mulheres no Brasil chegou a 40%, mesmo com a escolaridade esteja praticamente equiparada. Essa estatística coloca o país apenas como o 130° país com maior igualdade salarial no planeta. Em Minas Gerais, 90% da população acredita que o problema da desigualdade salarial entre os gêneros deveria ser corrigido pelo do Estado, por meio de leis.

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