NOVO TRATAMENTO

Nova cirurgia no SUS poderá tratar catarata e glaucoma em um único procedimento

Procedimento foi incorporado pelo Ministério da Saúde e poderá ser utilizado em pacientes com os dois problemas; oferta na rede pública deve começar em até 180 dias

Publicado em 24/09/2026 às 10:47
Compartilhar

Pacientes que têm catarata e glaucoma poderão, a partir de 2027, contar com uma cirurgia capaz de tratar as duas condições em uma única intervenção pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A incorporação foi oficializada pelo Ministério da Saúde em portaria publicada no Diário Oficial da União em 17 de setembro. A pasta terá até 180 dias para efetivar a oferta do procedimento na rede pública.

A nova opção será destinada a pacientes com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) com dano inicial ou moderado, desde que a doença esteja controlada com o uso de colírios.

Como será feita a cirurgia

A técnica combina a cirurgia convencional da catarata com um procedimento para melhorar a drenagem do líquido dentro do olho e, consequentemente, ajudar no controle da pressão intraocular.

Para tratar a catarata, é realizada a facoemulsificação, procedimento no qual o cristalino que ficou opaco é fragmentado e retirado por uma pequena abertura. Em seguida, uma lente intraocular artificial é colocada no lugar.

Durante a mesma cirurgia, o glaucoma poderá ser tratado por uma de duas técnicas incorporadas:

Goniotomia excisional: uma pequena incisão é feita na córnea para retirar parte do tecido que dificulta a drenagem do líquido do olho;

Trabeculotomia transluminal: um microcateter ou fio cirúrgico é introduzido no canal natural de drenagem para ampliar a passagem do líquido.

A escolha da técnica depende das características do olho e da avaliação médica.

A Conitec avaliou a realização dessas técnicas em conjunto com a cirurgia de catarata para pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto leve a moderado.

Quem poderá fazer pelo SUS?

A incorporação não significa que qualquer pessoa com catarata ou glaucoma poderá realizar automaticamente a cirurgia combinada.

O procedimento foi destinado a pacientes que tenham as duas doenças e se enquadrem nos critérios definidos pelo Ministério da Saúde: catarata associada a glaucoma primário de ângulo aberto com dano inicial ou moderado e controlado com colírios.

O glaucoma primário de ângulo aberto é a forma mais comum da doença no Brasil e costuma evoluir de maneira lenta e silenciosa. Segundo a Conitec, ele representa cerca de 60% dos diagnósticos de glaucoma no país.

Por que juntar os dois tratamentos?

Atualmente, pacientes com catarata e glaucoma podem precisar de tratamentos diferentes para cada doença. A nova abordagem permite que o procedimento para o glaucoma seja realizado durante a própria cirurgia da catarata.

De acordo com o Ministério da Saúde, a estratégia pode proporcionar recuperação mais rápida, menor risco de complicações e melhor controle da pressão intraocular. Também pode reduzir a necessidade de colírios em alguns pacientes, embora isso não signifique que todos deixarão de usar medicamentos.

A análise da Conitec encontrou resultados semelhantes entre a goniotomia excisional e o iStent no controle da pressão intraocular e na redução da necessidade de medicamentos em pacientes com catarata e glaucoma leve a moderado. Alguns pacientes conseguiram manter a doença controlada sem colírios ao final do período de acompanhamento dos estudos analisados.

Catarata e glaucoma são doenças diferentes

Apesar de poderem afetar a visão, catarata e glaucoma têm causas e mecanismos diferentes.

A catarata ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, perde sua transparência e fica opaco. Com isso, a visão pode ficar embaçada e a capacidade visual diminuir.

O glaucoma, por sua vez, provoca danos progressivos ao nervo óptico. Um dos principais fatores associados à doença é o aumento da pressão dentro do olho, embora o problema não se limite à pressão intraocular.

Enquanto a perda visual causada pela catarata pode ser tratada com a retirada do cristalino opaco e sua substituição por uma lente artificial, os danos provocados pelo glaucoma no nervo óptico são irreversíveis. Por isso, o controle da doença é fundamental para evitar a progressão da perda de visão.

Economia para o sistema de saúde

Além dos possíveis benefícios para os pacientes, a incorporação também foi analisada pela Conitec sob o ponto de vista econômico.

Segundo o Ministério da Saúde, a goniotomia excisional pode representar uma redução de aproximadamente R$ 18 mil por ano de vida saudável ganho, em comparação com o tratamento com iStent.

A estimativa é de uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano de utilização da técnica, chegando a R$ 93,2 milhões no quinto ano. Considerando o período de cinco anos, a economia acumulada estimada chega a R$ 276 milhões em um cenário de substituição do iStent pela goniotomia excisional.

Quando começa a oferta?

A portaria que oficializou a incorporação foi publicada em 17 de setembro de 2026. A partir da decisão, o Ministério da Saúde tem prazo de até 180 dias para efetivar a oferta do procedimento no SUS.

Na prática, portanto, a cirurgia deverá ser incorporada gradualmente à rede pública após a atualização dos protocolos e a organização dos serviços responsáveis pelo atendimento.

A medida faz parte da atualização dos tratamentos disponíveis no SUS para doenças que podem comprometer a visão e busca ampliar as opções para pacientes que apresentam catarata associada ao glaucoma primário de ângulo aberto.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por