Projeto foi autorizado pelo Tribunal de Justiça e será o primeiro museu no interior de Minas Gerais. De acordo com Roberto Rodrigues, deve ser firmado convênio com universidades
Foto/Neto Talmeli
Durante a inauguração oficial do novo prédio do Fórum Melo Viana, autoridades, juízes e políticos conheceram o interior do moderno prédio. Um dos locais visitados pelo presidente do Tribunal de Justiça, Pedro Carlos Bitencourt Marcondes, foi o museu Memória do Judiciário de Uberaba.
A ideia surgiu quando os servidores se preparavam para a mudança. Segundo o coordenador da comissão gestora da Administração do Fórum, Roberto Rodrigues de Souza, os serventuários tiveram que avaliar processos nos arquivos do antigo prédio e encontraram raridades. São processos datados de 1800, alguns com o carimbo do imperador Dom Pedro II, e de quando Uberaba nem pertencia a Minas Gerais, e sim ao estado de Goiás.
O projeto foi autorizado pelo Tribunal de Justiça e será o primeiro museu no interior de Minas Gerais. De acordo com Roberto Rodrigues, deve ser firmado convênio com universidades, para que, junto com profissionais a serem cedidos pelo Tribunal, sejam feitas a separação, a catalogação, o registro e a preservação da história do Judiciário em Uberaba. Todo o material reunido ficará à disposição de visitantes e pesquisadores. O objetivo é que tudo esteja pronto em julho deste ano, quando a instalação do primeiro Fórum na comarca de Uberaba completará 100 anos.
Entre os apensos mais antigos estão processos de fugas e inventários em que escravos eram considerados como bens transferíveis. Já entre os de maior repercussão estão casos como réus absolvidos por conta da psicografia do médium Chico Xavier e o Crime do Leblon. Um dos casos curiosos a serem expostos no museu é o do cantor Wanderley Cardoso, que esteve em Uberaba, no início dos anos 70, para um show e acabou sendo espancado por nove jovens que não gostaram do sucesso do astro com as moças da cidade. O fato fez Uberaba aparecer negativamente em um dos meios de comunicação de maior circulação da época, a revista O Cruzeiro.
Há ainda uma série de objetos que formam o arquivo de provas relacionadas a processos, como é o caso das criativas armas utilizadas para cometer crimes na Uberaba do passado, como um revólver em forma de caneta.