Motivos do crescimento no Estado foram a reativação de unidades de abate, os preços atrativos e a estiagem prolongada, que levou o pecuarista a vender os animais
O abate de bovinos em Minas Gerais em frigoríficos sob inspeção oficial (municipal, estadual ou federal), no ano passado, foi de 3,2 milhões de cabeças. Segundo dados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o número é 6,3% superior aos abates realizados em 2013 no Estado e representa 9,5% dos abates nacionais no mesmo período. Em Uberaba, a situação também pôde ser verificada até setembro de 2014, mas o setor vem apresentando queda acentuada na quantidade de abates.
Os motivos do crescimento no Estado foram a reativação de unidades de abate, os preços atrativos da arroba e a estiagem prolongada, que levou o pecuarista a vender os animais em função do baixo desenvolvimento das pastagens, que prejudicou sistemas de criação a pasto. A composição dos animais abatidos é de bois (49%), vacas (34%), novilhos (9,6%) e novilhas (7,3%). Os valores obtidos com as vendas externas da carne mineira, em 2014, registraram crescimento de 3,62%, atingindo US$446,2 milhões. Os principais países e mercados importadores foram Hong Kong (29,8%), Rússia (10,7%), Egito (8,4%), Israel (5,6%) e Chile.
Para Romeu Costa Teles, proprietário de frigorífico que abate bovinos e suínos, em Uberaba houve um aumento no volume de serviço até setembro de 2014, mas depois desse período os abates vêm caindo gradativamente. “Realmente houve um aumento positivo de abates de janeiro até meados de setembro. De outubro do ano passado em diante houve uma queda sistemática. Mês a mês a demanda foi diminuindo a ponto de agora em janeiro e fevereiro ter sido 50% menor do que antes, e ninguém entendeu o que houve”, avalia.
Importação. Romeu explica que de janeiro a setembro de 2014 o que provocou o aumento de abates foi o consumo da população, já que os preços estavam bastante acessíveis. Segundo ele, períodos de seca atrapalham significativamente os abates, que passam a não ocorrer na região. Por isso, os açougues passam a comprar carnes de fora, que foi o que aconteceu e acabou encarecendo o produto para o consumidor. “Por conta da menor oferta de gado na nossa região, realmente houve uma importação de carne das cidades de Ituiutaba, Itumbiara, entre outras, mas o consumo ainda existia. De outubro e novembro em diante o consumo diminuiu. Açougues que vendiam 10 vacas por semana passaram a vender menos, até chegar a vender três a quatro. O preço da arroba subiu muito e a carne ficou cara. Além disso, em geral, o brasileiro teve que arcar com aumento de preços do combustível, da energia e outras tarifas. Com aumento do dólar, a tendência seria o aumento da arroba, mas isso não aconteceu porque o consumo não estava acompanhando”, ressalta.