
Prefeito de Uberlândia e presidente da Fiemg defendem atração de mais data centers a Minas (Foto/Fiemg/Divulgação)
As obras para a construção do primeiro data center dedicado à inteligência artificial (IA) da região Sudeste podem começar em maio deste ano em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a depender da aprovação das licitações no governo estadual, segundo o prefeito da cidade, Paulo Sérgio Ferreira (PP).
O detalhamento foi compartilhado por ele durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (23/2). O empreendimento foi anunciado pela empresa de capital norte-americano RT-One em 2025, com projeção de um investimento de R$ 6 bilhões. Antes de começar a operar no prédio próprio, a companhia testará as operações nas instalações da Algar que já funcionam em Uberlândia.
Data centers são grandes estruturas de armazenamento e processamento de dados digitais, essenciais para o funcionamento da IA, que processa um alto volume de informações. Geralmente, as estruturas consomem milhares de litros de água para o resfriamento dos equipamentos. A promessa da RT-One é substituir a maior parte dessa água por outras substâncias.
O prefeito de Uberlândia também afirmou que o gasto de recursos naturais será limitado. “Consumirá menos do que um conjunto habitacional de 300 casas. É em uma área que não tem qualquer problema ambiental”, disse. Ferreira também garantiu que o abastecimento de energia para o empreendimento será proporcionado por uma nova subestação da Cemig.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, também reforçou o apoio da entidade à atração das estruturas ao estado. “Os data centers são fundamentais para essa nova sociedade que vem surgindo, e a gente deveria fazer um enorme esforço para que todos os data centers do mundo fossem instalados em países que tem a matriz energética brasileira, limpa. Aqui é que devemos gastar energia com os data centers” defendeu.
Uberlândia tenta atrair outros três data centers
Além do acordo com a RT-One, a prefeitura de Uberlândia negocia a instalação de outras três data centers na cidade, segundo o prefeito. “Temos contato com duas empresas chinesas e mais uma americana”, disse.
A disposição em atrair o setor a Minas é compartilhada pela própria Cemig. Durante o seminário “Energia para o Futuro”, promovido por O TEMPO em janeiro, o presidente da Cemig, Reynaldo Passanez advogou pela atração de data centers ao país. “Para o Brasil ser de fato protagonista na transição energética, precisamos atrair demanda de indústrias intensivas em energia renovável. Precisamos incentivar data centers a virem para o Brasil”, sublinhou.
Ele lembrou que as estruturas demandam, hoje, cerca de 2% da carga global, percentual que tende a subir até o final da década. Na perspectiva de Passanez, o Brasil está bem posicionado para atender à demanda de forma sustentável devido à sua matriz energética baseada principalmente em hidrelétricas. “Claro que os data centers têm que vir para cá. É muito melhor do que estarem em Boston ou funcionando com termelétricas”, disse.
Fonte: O Tempo