CALENDÁRIO VACINAL

OMS defende calendário vacinal após Trump determinar redução de vacinas infantis nos EUA

Publicado em 11/08/2026 às 10:36
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu, nesta terça-feira (11), o calendário de vacinação infantil baseado em evidências científicas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar um decreto para reduzir o número de vacinas recomendadas para crianças no país.

A medida, assinada na segunda-feira (10), determina a redução do calendário infantil norte-americano para 11 vacinas. Trump afirmou que a mudança pretende oferecer uma proteção considerada por ele como de “padrão-ouro” e aproximar os Estados Unidos das recomendações de outros países desenvolvidos.

A decisão, no entanto, foi criticada por médicos, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas. Segundo esses grupos, não existem novas evidências científicas que justifiquem a alteração e a redução pode deixar crianças mais vulneráveis a doenças que podem ser prevenidas por vacinação.

OMS defende decisões baseadas em evidências

O porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, afirmou durante uma coletiva de imprensa em Genebra que os calendários de vacinação são definidos com base em mais de 60 anos de pesquisas realizadas pela própria organização, autoridades nacionais e grupos independentes de especialistas.

Segundo ele, a definição da idade e do momento adequado para cada vacina considera fatores como o período em que as pessoas estão mais vulneráveis a determinadas doenças e o desenvolvimento do sistema imunológico.

“O que a OMS apresenta tem base científica”, afirmou Jašarević.

Ele também destacou que os países costumam contar com grupos técnicos formados por especialistas de diferentes áreas para elaborar recomendações de imunização.

Médicos alertam para risco de atrasos na vacinação

A ordem assinada por Trump também recomenda que a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, seja aplicada separadamente, em três doses individuais.

A fabricante MSD afirmou que não existem evidências científicas publicadas que demonstrem benefícios na divisão da vacina. A empresa também alertou que a necessidade de consultas separadas pode aumentar o risco de atrasos ou até de doses não aplicadas.

Especialistas também apontam que calendários de vacinação diferentes entre países não significam necessariamente que um deles seja mais seguro. As recomendações levam em consideração os riscos de doenças, características da população e os sistemas de saúde de cada local.

Debate sobre vacinas ganha força nos EUA

A mudança atende a uma proposta defendida há anos pelo secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que já questionou a segurança das vacinas e divulgou alegações relacionando imunizantes ao autismo.

Estudos científicos e autoridades de saúde pública, porém, não encontraram evidências de que vacinas causem autismo.

A OMS reforçou que as recomendações internacionais de imunização são atualizadas a partir de evidências científicas e de avaliações sobre os riscos e benefícios das vacinas.

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