Plano prevê inteligência artificial, sequenciamento genômico e mobilização de especialistas para identificar surtos e acelerar respostas sanitárias
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a meta de que todos os países consigam detectar e avaliar ameaças à saúde em até 24 horas até 2030. A iniciativa integra uma nova estratégia de cinco anos do Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias, anunciada na segunda-feira (12), com foco na identificação precoce de surtos e na prevenção de epidemias de grande escala.
O plano prevê ampliar o uso de inteligência artificial (IA), fortalecer a vigilância genômica e agilizar a mobilização de especialistas em modelagem e ciência de dados. A proposta também inclui a criação de sistemas digitais seguros para facilitar o compartilhamento de informações entre países e organizações parceiras.
Segundo a OMS, o objetivo é permitir que governos e instituições de saúde identifiquem novas ameaças com mais rapidez e coordenem medidas de resposta antes que os surtos se espalhem para outras regiões.
Ao discursar na abertura da Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, na Alemanha, o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias passou a integrar o sistema global de segurança em saúde.
Como a tecnologia deve ajudar
Criado em 2021, com apoio do governo alemão, o Centro surgiu após a pandemia de Covid-19 evidenciar falhas na preparação e na resposta a emergências sanitárias.
Uma das prioridades da nova estratégia é utilizar inteligência artificial para analisar milhares de fontes públicas em tempo real e identificar sinais que possam indicar o surgimento de ameaças à saúde.
O plano também prevê o fortalecimento do sequenciamento genômico e da bioinformática, tecnologias que ajudam a identificar e compreender agentes infecciosos. Essas informações podem contribuir para acelerar o desenvolvimento de testes diagnósticos, tratamentos e vacinas.
Outra medida é a mobilização rápida de uma rede com mais de 2 mil especialistas em modelagem e ciência de dados. Os profissionais poderão auxiliar na análise de cenários e na avaliação de como novos surtos podem evoluir.
Cooperação entre países
A estratégia inclui o fortalecimento da Vigilância Colaborativa, iniciativa implementada em mais de 83 países para ampliar a cooperação e a troca de informações sobre riscos sanitários.
A OMS também pretende desenvolver sistemas digitais seguros para facilitar o compartilhamento de dados entre governos e organizações parceiras. A intenção é permitir que as autoridades avaliem ameaças de forma coordenada e organizem respostas com mais agilidade.
A meta para 2030 é que os países consigam detectar e avaliar ameaças à saúde em até 24 horas. Para isso, a organização busca ampliar a capacidade de vigilância e preparação dos sistemas nacionais de saúde, reduzindo o tempo entre os primeiros sinais de um possível surto e a adoção de medidas para conter sua propagação.