Desde 2016, a Petrobras segue política de variação do preço dos combustíveis que acompanha a valorização do dólar e a variação do custo do petróleo no mercado internacional
Foto/Agência Brasil
O economista Roberto Castello Branco estuda se manterá a atual política de preços da estatal na próxima gestão
Indicado para presidir a Petrobras no governo de Jair Bolsonaro, o economista Roberto Castello Branco afirmou que, considerando os impostos e subsídios, o preço atual dos combustíveis no Brasil está na média praticada pelo mercado internacional. Ele desconversou, no entanto, se manterá a atual política de preços da estatal na próxima gestão, dizendo que este é um tema a ser estudado.
Desde 2016, a Petrobras segue uma política de variação do preço dos combustíveis que acompanha a valorização do dólar e a variação do custo do petróleo no mercado internacional. A falta de estabilidade dos preços dos combustíveis, com sucessivos aumentos, foi a principal queixa dos caminhoneiros que entraram em greve no fim de maio.
A paralisação e os bloqueios de rodovias em 24 estados e no Distrito Federal causaram a indisponibilidade de alimentos e remédios nas principais cidades do país, escassez e alta de preços da gasolina, com longas filas para abastecimento. O movimento ainda resultou no pedido de demissão do então presidente da estatal, Pedro Parente.
Castello Branco é professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e fez Pós-doutorado na Universidade de Chicago (EUA), tradicional reduto do pensamento liberal na economia, pela defesa do livre mercado. Ele também já integrou o conselho de administração da Petrobras. Defensor de maior concorrência no setor de petróleo, ele é contrário às políticas de controle de preço. Para assumir a Petrobras, ele ainda passará por aprovação formal pelo colegiado de administração da companhia.
“Quando se fixa um preço abaixo do mercado, afasta-se a concorrência, mas a um custo muito alto. Foi entre 2011 e 2014 que a Petrobras não só perdeu muito dinheiro como ajudou a afundar a indústria do etanol, ajudou a ter mais carro na rua, com problema de trânsito e poluição de meio ambiente, uma série de situações negativas. E, quando se cobra um preço acima do mercado, também é prejudicial para a economia. A competição é sempre saudável”, afirmou.