Sofisticação dos ataques, impulsionada por Inteligência Artificial, coloca em xeque a eficácia das defesas tradicionais
O cenário global de segurança cibernética vive uma transformação preocupante, aponta o novo relatório da empresa de cibersegurança Netscout Systems. O segundo semestre de 2025 foi marcado por mais de oito milhões de ataques de Negação de Serviço Distribuídos (DDoS, na sigla em inglês) ao redor do mundo, sendo que quase metade das mais de um milhão de ocorrências registradas na América Latina no período ocorreu no Brasil.
Com picos que atingiram a impressionante marca de 30 terabits por segundo (Tbps), as ofensivas demonstram uma nova era de atividades coordenadas em hiperescala, desafiando a capacidade de resposta das estratégias globais de mitigação.
De acordo com o levantamento, o crescimento de serviços de "DDoS sob demanda" tem democratizado o acesso a ferramentas de ataque, o que amplia significativamente o risco operacional para organizações e empresas digitalmente conectadas. O uso de botnets resilientes e a exploração de infraestruturas de Internet das Coisas (IoT) comprometidas formam a base técnica desse cenário.
O diretor de inteligência de ameaças da Netscout, Richard Hummel, explica que o desafio deixou de ser puramente pelo volume. Técnicas de reconhecimento e evasão adaptativa exigem que as organizações substituam defesas convencionais por sistemas inteligentes e autônomos. “Os agentes de ameaça identificam organizações que não investiram nas defesas certas para se manterem à frente de ataques DDoS sofisticados e coordenados, a fim de derrubar infraestrutura crítica”, disse.
“As defesas de segurança tradicionais não funcionam mais e, com os invasores atingindo novos patamares de volume e complexidade de ataque, a implementação de defesas automatizadas e proativas se tornou um mandato de gestão de risco em nível de negócios – não apenas uma preocupação técnica para profissionais de segurança”.
Destaques do levantamento
Brasil é o epicentro do ciberataques na América Latina
O Brasil figura como o protagonista dos incidentes na América Latina. Das mais de 1 milhão de ocorrências registradas na região no segundo semestre de 2025, quase metade aconteceu em território brasileiro: foram 470.677 ataques no período.
Os vetores de ataque mais utilizados contra alvos brasileiros incluíram o tráfego TCP (134.320 ataques) e o DNS Amplification (98.558 ataques).
Ranking dos setores mais visados por ataques cibernéticos no Brasil
O levantamento da Netscout também apontou quais são os setores da economia mais visados pelos ataques cibernéticos no país durante o segundo semestre de 2025. Veja a lista:
1º lugar - Telecomunicações sem fio: 114.797 ataques
2º lugar - Infraestrutura de computação e hospedagem: 47.897 ataques
3º lugar - Telecomunicações com fio: 34.051 ataques
4º lugar - Comércio atacadista de equipamentos para escritório: 6.515 ataques
5º lugar - Transporte rodoviário de cargas: 6.367 ataques
6º lugar - Bancos: com 5.583 ataques
7º lugar - Todas as outras telecomunicações: 3.010 ataques
8º lugar - Organizações religiosas: 1.210 ataques.
Fonte: O Tempo