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Vitória de democrata divide opiniões em Uberaba

Dirigente classista e economista avaliam efeitos, no Brasil, da histórica eleição americana

Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 17/12/2022 às 03:55
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“A mudança chegou à América”, disse Barack Obama, 47 anos, no primeiro discurso após ser eleito presidente dos Estados Unidos, ontem. A vitória do democrata sobre o rival republicano, John McCain, 72 anos, com mais de 330 dos 538 votos no Colégio Eleitoral – o mínimo para ser eleito é 270 –, confirmou a tendência apontada pelas pesquisas de intenção de voto divulgadas até a véspera da eleição. Obama tomará posse em 20 de janeiro, encerrando oito anos de um impopular governo do republicano George W. Bush e tornando-se o primeiro negro a chefiar a nação mais rica do planeta.   Em tempo de crise econômica, o desafio para o novo presidente dos EUA não será fácil. O Brasil já sente, em alguns setores da economia, o reflexo da recessão global e, neste momento, aguarda os rumos da política externa, com a expectativa de que a relação com o novo chefe americano seja melhor do que foi com Bush.   Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (Aciu), Karim Abud Mauad, o Brasil nunca deve esperar nada dos Estados Unidos. Entretanto, o líder classista vê a vitória de Obama com otimismo. “O governo brasileiro sempre se deu melhor com democratas do que com republicanos. Isso é visível, basta comparar a relação com o governo Clinton e com Bush. Na época de Clinton, o Brasil pôde tirar mais proveito da relação comercial com os EUA. Espero que a relação com Obama também seja boa, ao ponto de o Brasil sair ganhando na política comercial, sobretudo com a exportação do etanol produzido aqui”, ressaltou.   Sobre os rumos da crise econômica, Karim aposta em calmaria com o fim das eleições. “Ontem as bolsas já demonstraram reação, especialmente as que vinham de quedas consecutivas. É um sinal de que as coisas começam a entrar nos trilhos”.   O economista Cássio Silveira concorda com a possível freada nos efeitos da crise econômica, mas destaca que o novo presidente precisará se voltar, primeiramente, para o mercado interno, e resolver os problemas da casa, “que não são poucos”, frutos de sucessivos planos mal elaborados.   Na contrapartida, Silveira acredita que a vitória de John McCain poderia trazer melhores frutos para os brasileiros, sobretudo em relação aos investimentos no etanol. “O incentivo à importação do biocombustível, extraído do milho ou da cana fazia parte do plano de governo de McCain, conforme externou em alguns discursos; portanto, o Brasil poderia sair ganhando, uma vez que é forte na produção do álcool biocombustível”.   Outra preocupação do economista com a chegada de Obama à Casa Branca é o discurso de soberania sobre os cuidados com os bens naturais, “que nada mais é que um discurso de tomada da Amazônia para o mundo, ou melhor, para os EUA”. “A Amazônia é nossa e o brasileiro precisa se conscientizar da importância desta riqueza para o mundo e defendê-la a todo custo”, finalizou Silveira.      

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