O tratamento da obesidade ganhou uma nova possibilidade com a chegada do Wegovy em comprimido ao Brasil. A versão oral utiliza o mesmo princípio ativo da caneta injetável, a semaglutida, mas apresenta diferenças na administração, na dosagem e na rotina dos pacientes.
Enquanto a caneta é aplicada uma vez por semana, o comprimido deve ser ingerido diariamente, pela manhã e em jejum. Após a ingestão, é necessário esperar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outros medicamentos.
A dosagem também segue esquemas diferentes. Na apresentação oral, o tratamento começa com 1,5 mg por dia e aumenta gradualmente para 4 mg e 9 mg, até atingir a dose de manutenção de 25 mg. A progressão permite que o organismo se adapte ao medicamento.
A escolha entre as duas versões depende de fatores como rotina, tolerância e necessidades de cada paciente. Pessoas que têm receio de agulhas ou dificuldade com aplicações podem encontrar na apresentação oral uma alternativa, mas a decisão deve ser feita com orientação médica.
Comprimido tem o mesmo efeito da caneta?
As duas apresentações utilizam a semaglutida, substância que atua nos receptores do GLP-1, hormônio relacionado à regulação do apetite e da ingestão alimentar.
A ação do medicamento contribui para aumentar a sensação de saciedade e reduzir a fome, favorecendo a perda de peso. Apesar de utilizarem o mesmo princípio ativo, os resultados das versões não devem ser comparados diretamente, já que foram avaliados em estudos com doses e condições específicas.
Uma pesquisa de fase 3, chamada OASIS 4 e publicada no periódico científico New England Journal of Medicine, avaliou a semaglutida oral de 25 mg em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde.
Após 64 semanas, os participantes que receberam o medicamento apresentaram perda média de 13,6% do peso corporal, enquanto o grupo que recebeu placebo teve redução média de 2,2%.
No estudo, 79,2% dos participantes perderam pelo menos 5% do peso. Metade alcançou redução igual ou superior a 15%, e 29,7% perderam 20% ou mais.
Tratamento exige acompanhamento médico
Independentemente da apresentação escolhida, o uso da semaglutida exige acompanhamento profissional e não substitui mudanças no estilo de vida.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que pode exigir tratamento prolongado e estratégias individualizadas. Por isso, fatores como resposta ao medicamento, tolerância e condições de saúde precisam ser considerados durante o acompanhamento.
Dados do levantamento Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam que 62,6% da população adulta brasileira apresenta excesso de peso, enquanto 25,7% vive com obesidade.
Os números reforçam a dimensão do problema de saúde pública e a importância de ampliar as possibilidades de tratamento, sempre com indicação e orientação médica.