
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência da investigada (Foto/Divulgação)
Uma mulher de 29 anos, suspeita de movimentar mais de R$ 1 milhão em três anos como possível “laranja” de uma organização criminosa, foi alvo da segunda fase da Operação Glifosato, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais nesta quarta-feira (17). Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência da investigada.
A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais do 5º Departamento de Polícia Civil, com sede em Uberaba. Durante as buscas, foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos que serão analisados para aprofundar a apuração sobre lavagem de dinheiro e identificar outros possíveis integrantes do grupo.
Segundo a Polícia Civil, a mulher é companheira de um dos investigados na primeira fase da operação e teria sido utilizada como interposta pessoa para movimentar recursos ligados à organização criminosa. O volume financeiro identificado seria incompatível com a capacidade econômica aparente da investigada.
A ordem judicial foi expedida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Frutal, após representação da autoridade policial e parecer favorável do Ministério Público de Minas Gerais. Não houve informação sobre prisão nesta segunda fase.
A Operação Glifosato teve início a partir da investigação de um roubo ocorrido em 14 de fevereiro de 2022, na MGC-464, em Sacramento. Dois trabalhadores transportavam cerca de cinco mil litros de defensivos agrícolas, avaliados em aproximadamente R$ 200 mil, quando foram interceptados por criminosos em um Ford Ka.
Conforme a investigação, um dos assaltantes efetuou um disparo para intimidar as vítimas e obrigá-las a interromper a viagem. A carga foi levada e o caminhão usado no transporte acabou localizado dias depois, escondido em um galpão em Uberaba.
A recuperação do veículo levou os investigadores a uma organização criminosa que, segundo a Polícia Civil, atuava em roubos, furtos e receptação de defensivos agrícolas, além de utilizar mecanismos para ocultar e lavar os recursos obtidos com os crimes.
Relatórios financeiros apontaram movimentação de aproximadamente R$ 166 milhões entre 2019 e 2022. Na primeira fase da Glifosato, deflagrada em outubro de 2024, 26 investigados foram presos. A operação também resultou na apreensão de dezenas de veículos, entre eles automóveis de luxo, além do sequestro de imóveis e bloqueio de bens e valores.
Na época da deflagração, o Jornal da Manhã noticiou que a operação havia resultado inicialmente em 19 prisões, apreensão de 67 veículos, sequestro de 30 imóveis e bloqueio superior a R$ 170 milhões. Os números apresentados agora pela Polícia Civil representam o balanço atualizado das medidas adotadas ao longo da primeira fase.
Os desdobramentos da Glifosato ultrapassaram os crimes praticados na zona rural. Elementos reunidos durante a investigação deram origem à Operação Caça-Fantasmas, deflagrada em julho de 2025 para apurar um suposto esquema de assessores parlamentares fictícios na Câmara Municipal de Uberaba.
Na Caça-Fantasmas, a Polícia Civil investigou a suspeita de que um empresário ligado ao grupo apurado na Glifosato teria financiado informalmente campanhas políticas e recebido valores desviados de salários e benefícios pagos a servidores que não exerciam efetivamente as funções.
Em junho, o Ministério Público denunciou um vereador em exercício, o empresário e outras três pessoas por supostos crimes de peculato-desvio e associação criminosa. Apenas o núcleo incluído nessa primeira denúncia teria causado prejuízo superior a R$ 636 mil, segundo o MPMG.
Já a nova etapa da Glifosato permanece concentrada na possível ocultação de patrimônio e circulação de recursos da organização ligada aos crimes contra propriedades e cargas rurais. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas medidas poderão ser adotadas para responsabilizar os envolvidos e recuperar ativos de origem ilícita.