CADEIA

Mulher que movimentou mais de R$ 1 milhão é alvo da segunda fase da Operação Glifosato

Investigada é suspeita de atuar como “laranja” de organização criminosa ligada a roubos de defensivos agrícolas e lavagem de dinheiro

Publicado em 17/06/2026 às 17:16
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Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência da investigada (Foto/Divulgação)

Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência da investigada (Foto/Divulgação)

Uma mulher de 29 anos, suspeita de movimentar mais de R$ 1 milhão em três anos como possível “laranja” de uma organização criminosa, foi alvo da segunda fase da Operação Glifosato, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais nesta quarta-feira (17). Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência da investigada.

A ação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais do 5º Departamento de Polícia Civil, com sede em Uberaba. Durante as buscas, foram recolhidos documentos e aparelhos eletrônicos que serão analisados para aprofundar a apuração sobre lavagem de dinheiro e identificar outros possíveis integrantes do grupo.

Segundo a Polícia Civil, a mulher é companheira de um dos investigados na primeira fase da operação e teria sido utilizada como interposta pessoa para movimentar recursos ligados à organização criminosa. O volume financeiro identificado seria incompatível com a capacidade econômica aparente da investigada.

A ordem judicial foi expedida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Frutal, após representação da autoridade policial e parecer favorável do Ministério Público de Minas Gerais. Não houve informação sobre prisão nesta segunda fase.

A Operação Glifosato teve início a partir da investigação de um roubo ocorrido em 14 de fevereiro de 2022, na MGC-464, em Sacramento. Dois trabalhadores transportavam cerca de cinco mil litros de defensivos agrícolas, avaliados em aproximadamente R$ 200 mil, quando foram interceptados por criminosos em um Ford Ka.

Conforme a investigação, um dos assaltantes efetuou um disparo para intimidar as vítimas e obrigá-las a interromper a viagem. A carga foi levada e o caminhão usado no transporte acabou localizado dias depois, escondido em um galpão em Uberaba.

A recuperação do veículo levou os investigadores a uma organização criminosa que, segundo a Polícia Civil, atuava em roubos, furtos e receptação de defensivos agrícolas, além de utilizar mecanismos para ocultar e lavar os recursos obtidos com os crimes.

Relatórios financeiros apontaram movimentação de aproximadamente R$ 166 milhões entre 2019 e 2022. Na primeira fase da Glifosato, deflagrada em outubro de 2024, 26 investigados foram presos. A operação também resultou na apreensão de dezenas de veículos, entre eles automóveis de luxo, além do sequestro de imóveis e bloqueio de bens e valores.

Na época da deflagração, o Jornal da Manhã noticiou que a operação havia resultado inicialmente em 19 prisões, apreensão de 67 veículos, sequestro de 30 imóveis e bloqueio superior a R$ 170 milhões. Os números apresentados agora pela Polícia Civil representam o balanço atualizado das medidas adotadas ao longo da primeira fase. 

Na Caça-Fantasmas, a Polícia Civil investigou a suspeita de que um empresário ligado ao grupo apurado na Glifosato teria financiado informalmente campanhas políticas e recebido valores desviados de salários e benefícios pagos a servidores que não exerciam efetivamente as funções.

Em junho, o Ministério Público denunciou um vereador em exercício, o empresário e outras três pessoas por supostos crimes de peculato-desvio e associação criminosa. Apenas o núcleo incluído nessa primeira denúncia teria causado prejuízo superior a R$ 636 mil, segundo o MPMG. 

Já a nova etapa da Glifosato permanece concentrada na possível ocultação de patrimônio e circulação de recursos da organização ligada aos crimes contra propriedades e cargas rurais. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas medidas poderão ser adotadas para responsabilizar os envolvidos e recuperar ativos de origem ilícita.

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