Enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense foi contestado pela ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu). A escola anunciou esta semana que apresentará um samba-enredo enaltecendo os índios do Xingu e com críticas ao agronegócio.
No samba, o agronegócio é chamado de “o belo monstro” que “rouba as terras dos seus filhos, devora as matas e seca os rios”. Conforme o material de divulgação, uma das alas da escola de samba se chamará “fazendeiros e seus agrotóxicos” e outra se chamará “pragas e doenças”.
Em nota, a ABCZ posicionou que repudia o samba-enredo e as demais peças publicitárias divulgadas pela escola carioca para o desfile de Carnaval de 2017. “Ao criticar duramente o agronegócio, o grupo mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país", diz parte do texto.
A associação ainda manifestou que “o país do samba” é sustentado pela pecuária e pela agricultura, pois os setores correspondem a 22% do PIB do Brasil e foram responsáveis por assegurar a geração de emprego e renda em épocas de crise.
Ressaltando que o setor rural vem trabalhando para produzir mais e de forma sustentável, a entidade também avalia como injustiça a forma como os produtores rurais são retratados no samba-enredo pela escola carioca. “Inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela escola Imperatriz Leopoldinense. O setor produtivo e a sociedade não podem ficar calados diante a essa injustiça. É preciso que o Brasil e os brasileiros não só enxerguem e reconheçam a importância do nosso setor, como se orgulhem dessa nossa vocação de alimentar o mundo", encerra o texto.