POLÍTICA

Advogados de Adélio Bispo afirmam que declarações de Bolsonaro são de "uso político"

Defensores afirmam que representantes do presidente não questionaram laudo inicial sobre a sanidade mental do agressor

Publicado em 27/04/2020 às 17:37Atualizado em 18/12/2022 às 05:54
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Adélio Bispo de Oliveira, 41 anos foi o autor confesso da facada contra o presidente Jair Bolsonaro, em 2018. Os advogados de defesa de Adélio, nesta segunda-feira (27), se posicionaram após declarações de Bolsonaro.

A “nota repúdio e de esclarecimento” é resposta as alegações do presidente que alegou que o crime teve mandantes, e que a tentativa de homicídio não foi devidamente investigada pela Polícia Federal. A Justiça Federal declarou que o esfaqueador é “inimputável”, não pode responder pelos seus crimes por apresentar problema mental, devendo ser encaminhado para um manicômio judicial. O Poder Judicial também já autorizou a transferência dele para um “local adequado” em Minas Gerais, que ainda não foi efetivada.

“A defesa de Adélio Bispo, em uníssona manifestação, repudia as assertivas do senhor presidente da República, que anunciou entre as motivadoras da queda do então ministro Sergio Moro a ausência de identificação por parte da Polícia Federal dos ditos mandantes do crime contra o chefe do Executivo”, diz a nota.

Os advogados insinuam a tentativa de uso político do desfecho da apuraçã “discordâncias processuais têm papel e lugar na letra do feito e não num desvio de foco visando pró-urna”. Bolsonaro usou “o não aprofundamento” nas investigações do caso Adélio como um dos argumentos para a exoneração do ex-diretor-geral da corporação Maurício Aleixo. A mudança no comando da PF foi o estopim da saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que pediu demissão do cargo sexta-feira (24).

A nota é assinada pelo advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior e por outros quatro defensores de Adélio Bispo, que é natural Montes Claros (Norte de Minas) e que foi preso logo depois do crime levado para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS).

Os defensores do esfaqueador lembram que os advogados de Jair Bolsonaro não recorreram da decisão que considerou Adélio inimputável, concordando também com o que foi apurado no inquérito.

“Referido corpo técnico acusatório assistencial concordou tanto com o que foi apurado, no tocante à higidez mental do Sr. Adélio, quanto à motivadora singular do crime. Ainda, anunciou seu conformismo com a decisão absolutória imprópria, vez que desta decisão não interpôs qualquer recurso, mesmo motivado processualmente para tanto, tendo inclusive o ilustre presidente anunciado publicamente sua resignação”, afirmam.

“Diante disto, e, neste cenário impróprio a inescrutáveis 'pandemias intelectuais' mostra-se inadequada e absurda a motivadora anunciada para a troca do comando da Polícia Federal e por conseguinte a derrocada do renomado ex-ministro”, asseguram os advogados de Adélio.

Eles ressaltam a importância da independência da Polícia Federal. “Rogamos da séria Polícia Federal, independentemente de quem o for seu representante, que mantenha como de costume o distanciamento necessário das volições pessoais do presidente, uma vez que tal instituição preserva toda a nação e nunca o homem que isolado diz em nome dela falar”, enfatizam.

Além de Zanone Oliveira Junior, é “nota de repúdio” é assinada pelos advogados Fernando Costa Oliveira Magalhães, Marco Alfredo Mejia, Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa e Daniel Magalhães Bastos.

*Com informações Estado de Minas

 

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