Revoada no ninho tucano. Aécio Neves destituiu o senador Tasso Jereissati (CE) da presidência interina do PSDB nesta quinta-feira (9). Pressionado pelos tucanos governistas, o presidente licenciado do partido comunicou oficialmente ao até então interino de sua decisão, tomada, segundo alegou o próprio Aécio, para que Tasso fique nas mesmas condições de Marconi Perillo, que também disputará a presidência do partido em dezembro. A convenção nacional do PSDB está marcada para o dia 9. O ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, um dos vices-presidentes do ninho tucano, é quem assume o comando do partido até lá.
Assim, Aécio reassumiu a posição de liderança do partido, mas somente para indicar Goldman para o cargo. Na carta endereçada ao senador cearense, Aécio alega que o objetivo da medida é “garantir a desejável isonomia entre os postulantes” e “conduzir com imparcialidade a eleição” do partido. Cordial, Aécio ainda agradece Tasso pelo trabalho como interino e deseja “sorte em seus futuros projeto”.
A decisão gerou reação imediata de tucanos apoiadores de Tasso, que alegam ter Aécio mais uma vez decepcionado o partido. Eles acusam, ainda, que mais uma vez o governo federal interfere na convenção do partido.
Na terça-feira, Tasso se reuniu em almoço com a bancada do Senado e também com Perillo, na tentativa de evitar o aprofundamento do racha interno, mas não houve avanço. Segundo defendeu, o candidato do consenso deveria assumir o compromisso de liderar o desembarque do governo Temer. Atualmente, o PSDB ocupa os ministérios de Relações Exteriores (Aloysio Nunes), das Cidades (Bruno Araújo), de Direitos Humanos (Luislinda Valois), além da Secretaria de Governo (Antônio Imbassahy). Interlocutores do presidente Michel Temer já sinalizam iniciar a reforma ministerial ainda neste ano, trocando não só os ministérios ocupados pelos tucanos, mas também diversos outros. O Planalto avalia que se a decisão pelo desembarque se mantiver, o governo tende a se antecipar ao partido e tirá-lo de sua administração. Contudo, Planalto sinaliza que a intenção do presidente é manter a coalizão como hoje está.
*Com informações de O Globo e da Folha de S. Paulo