IMPASSE NO SENADO

Alcolumbre analisa validade de voto de Flávio Bolsonaro após saída do Brasil

Randolfe Rodrigues questiona participação do senador na votação da PEC da Segurança após viagem ao exterior sem autorização formal; pedido também levanta possibilidade de anulação do voto

Publicado em 05/11/2026 às 10:59
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vai analisar se o voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública poderá ser mantido. A discussão ocorre após o parlamentar registrar presença e votar em uma sessão do Senado enquanto estava nos Estados Unidos.

A situação foi questionada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que apresentou duas questões de ordem à Mesa Diretora na quarta-feira (4). Uma delas pede esclarecimentos sobre a possibilidade de um senador exercer o mandato estando fora do país sem autorização da Casa. A outra solicita a anulação do voto de Flávio na sessão realizada na terça-feira (3).

Alcolumbre afirmou que vai reunir assessores para avaliar o caso com base no Regimento Interno do Senado e nas normas do Congresso Nacional. Segundo ele, a decisão será tomada após a análise dos questionamentos apresentados.

Entenda o questionamento

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e está nos Estados Unidos. Até o momento, o senador não apresentou pedido formal de licença ao Senado.

Pelo regimento da Casa, parlamentares precisam comunicar previamente à Presidência quando pretendem se ausentar do país, informando o período da viagem.

A ausência no exterior, por si só, não provoca a perda imediata do mandato. No entanto, faltas não justificadas podem gerar descontos proporcionais na remuneração e, dependendo da quantidade, levar à perda do cargo.

Uma das dúvidas apresentadas por Randolfe diz respeito justamente à validade da participação de Flávio nas atividades legislativas durante a viagem.

Como Flávio conseguiu votar?

O senador participou da votação da PEC da Segurança por meio do sistema remoto do Senado. A sessão de terça-feira foi realizada no formato semipresencial, que permite a participação de parlamentares fora das dependências da Casa.

Nesse modelo, os senadores podem registrar presença e votar pelo aplicativo Senado Digital, por meio do Sistema de Deliberação Remota (SDR).

Uma regra estabelecida em 2023 prevê o registro de presença física para votação, mas mantém a possibilidade de participação a distância nas sessões semipresenciais.

Flávio pode perder o mandato?

Além do questionamento sobre a validade do voto, a situação pode ter consequências para o mandato do senador caso as ausências não sejam justificadas.

A Constituição Federal prevê a perda do mandato do parlamentar que deixar de comparecer a mais de um terço das sessões ordinárias realizadas em cada sessão legislativa, salvo nos casos de licença ou missão autorizada pela Casa.

Segundo o levantamento apresentado na reportagem original, Flávio acumulava 11 faltas não justificadas. Com pelo menos outras 22 sessões previstas até o fim de 2026, a continuidade das ausências poderá levá-lo a ultrapassar o limite constitucional.

Possível quebra de decoro

Outra possibilidade levantada é a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar. A medida poderia ser solicitada por partidos políticos ou pela própria Mesa Diretora, caso a conduta seja considerada incompatível com os deveres do mandato.

Nesse cenário, o caso poderia passar pelo Conselho de Ética e pelas instâncias competentes do Senado. Uma eventual cassação dependeria de aprovação por maioria absoluta do plenário, equivalente a pelo menos 41 votos.

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