Esgotado o prazo final para a prestação de contas de candidatos nas eleições 2026, os números disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mudam a comparação do gasto por voto entre os candidatos de Uberaba a deputado. Tony Carlos (PSDB) declara R$ 163 mil em despesas para conquistar 56.546 votos em Minas Gerais. Denise da Supra (PRD) informa uma campanha de R$ 640.976,98 e recebe 2.146 votos. A diferença entre os dois resultados leva o gasto médio por voto de R$ 2,88 a R$ 298,68 — uma distância de mais de cem vezes entre candidaturas de Uberaba à Assembleia Legislativa.
O contraste aparece na atualização das contas TSE, consultadas nesta quarta-feira (4), após o encerramento do prazo para entrega das prestações finais do primeiro turno, na terça-feira (3). Tony, eleito deputado estadual, tem a menor média entre as campanhas locais com gastos declarados e contas finais disponíveis. Denise apresenta a maior.
Os números mudam a comparação que o JM publicou em 6 de outubro. Naquele momento, Lidiane Dantas (PL) tinha o maior gasto por voto entre os candidatos analisados: R$ 217,41. Denise aparecia com R$ 146,15, mas as despesas então registradas eram de R$ 313.631,79, menos da metade do total informado agora. A reportagem já alertava que os dados ainda poderiam mudar até a apresentação das contas finais.
A conta de Tony também aumenta desde a primeira consulta: as despesas passam de R$ 87.102,50 para R$ 163 mil, e a média sobe de R$ 1,54 para R$ 2,88 por voto. Lidiane mantém os R$ 256.103,48 em gastos e os mesmos R$ 217,41 por voto.
Para fazer a comparação, o JM divide as despesas assumidas pelas campanhas pela votação obtida em todo o Estado. Usar apenas os votos de Uberaba distorceria o cálculo, porque o dinheiro também financia a busca por eleitores em outras cidades.
A campanha com maior despesa declarada entre os nomes locais é a de Patrícia Melo (PT): R$ 1.010.628,43, diante de uma arrecadação de R$ 952.237,29. Com 35.501 votos em Minas, ela registra média de R$ 28,47 por voto. Ou seja, lidera em gasto total, mas fica abaixo de Denise e Lidiane na comparação proporcional à votação.
Cabo Diego (PL), que recebeu 40.786 votos, informa R$ 451.368,15 em despesas, o equivalente a R$ 11,07 por voto. Entre os demais candidatos estaduais, as médias são de R$ 58,34 para China (PCdoB), R$ 31,56 para Heli Grilo (PL), R$ 10,33 para Negode (PSB), R$ 9,56 para Ismar Marão (PSD) e R$ 8,78 para Lerin (Democrata).
Na disputa federal, Anderson tem maior gasto e Mariscal, menor média por voto
Entre os seis candidatos locais à Câmara dos Deputados, Anderson Adauto (PV) apresenta a maior despesa: R$ 868.812,31. Com 26.193 votos em Minas, a campanha chega à média de R$ 33,17 por voto. Em outubro, os gastos disponíveis eram de R$ 298.537,55, e a média, de R$ 11,40.
Thiago Mariscal (PSDB) permanece com R$ 617.308,24 em despesas e 45.921 votos, o equivalente a R$ 13,44 por voto, a menor média entre os seis nomes locais. Franco Cartafina (Podemos) passa de R$ 17,82 para R$ 18,38, com R$ 603.260,54 em gastos e 32.823 votos.
Mauricinho de Sá (PSD) registra R$ 337.997,50 em despesas e média de R$ 22,89 por voto. Carlão Agora (PRD) chega a R$ 58,82 e Ana Lacerda (PSB), a R$ 78,37. Juntas, as seis campanhas declaram R$ 2,58 milhões em gastos.
O levantamento inclui ainda oito candidatos a deputado federal de outras bases eleitorais. Nesse grupo, Dandara (PT) apresenta a maior despesa total, de R$ 3,26 milhões, para 108.193 votos, uma média de R$ 30,15. Já Maurício do Vôlei (PL) declara R$ 2,645 milhões em gastos e recebe 16.122 votos, o equivalente a R$ 164,06 por voto.
As médias dos demais são de R$ 21,84 para Zé Vitor (PL), R$ 22,59 para Weliton Prado (PSD), R$ 31,87 para Ana Paula Leão (PP), R$ 42,06 para Zé Silva (União), R$ 44,79 para Cristiano Caporezzo (PL) e R$ 61,69 para Gilmar Machado (PT).
Há também situações que exigem uma leitura separada. O histórico de Lú Praxedes (Republicanos) lista quatro entregas, mas nenhuma prestação final. O último registro é de 3 de outubro, com R$ 115.061,16 em receitas e R$ 2.083,63 em despesas. Esses valores ficam fora da comparação final.
Rodrigo Alcino (Democrata), Marcelo Marques (Mobiliza) e Leandro Guella (Avante) aparecem sem despesas registradas. Marcelo declara R$ 100 e Guella, R$ 1.205,33, em bens ou serviços recebidos pela campanha, e não em dinheiro. Rodrigo informa receita zerada. Por não apresentarem gastos, os três também ficam fora da faixa de R$ 2,88 a R$ 298,68.
Os valores refletem o que as candidaturas declaram à Justiça Eleitoral e ainda podem ser corrigidos. A apresentação das contas não significa que elas já tenham sido aprovadas.