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Após polêmica sobre pinturas da Copa, Prefeitura tapa buracos alvos de crítica de vereador

Intervenção feita por Cléber Júnior em ruas do Morumbi e do bairro de Lourdes motivou questionamentos sobre multa, levou Prefeitura a editar norma e agora termina coberta por asfalto

Larissa Prata
Publicado em 03/06/2026 às 11:51
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 (Foto/Montagem)

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A polêmica sobre as pinturas da Copa em ruas de Uberaba ganhou novo capítulo. Os buracos que foram pintados com bandeiras do Brasil pelo vereador Cléber Júnior (MDB), em crítica às condições do asfalto na cidade, foram tapados pela Prefeitura. Com a operação tapa-buracos, as imagens que deram origem ao debate foram cobertas pelo asfalto.

As pinturas haviam sido feitas em 24 de maio e publicadas pelo parlamentar em vídeo no Instagram. Na ocasião, Cléber aparece pintando bandeiras em buracos na rua Luís Vitalino e na rua Zaida Facure Dib, no bairro Morumbi, além da rua das Hortênsias, no bairro de Lourdes. A intervenção foi apresentada como forma de crítica à situação das vias, em meio ao clima de preparação para a Copa do Mundo. O caso foi mostrado pelo Jornal da Manhã.

O episódio levantou uma discussão que ultrapassou a brincadeira visual. Após o vídeo, o JM reforçou questionamentos já enviados à Prefeitura sobre a conduta do governo municipal em relação às pinturas de ruas para a Copa, prática tradicional em vários bairros, mas que encontra restrições no Código de Posturas e no Código de Trânsito Brasileiro. Sem resposta do Município até o fechamento, o JM publicou matéria explicando que intervenções em vias públicas sem autorização poderiam gerar multa de até R$ 47 mil, conforme o valor da Unidade Fiscal Municipal em 2026.

A possibilidade de aplicação de multa de alto valor levou a Prefeitura a reagir publicamente e editar uma instrução normativa para orientar a fiscalização durante o Mundial. A norma passou a considerar que pinturas temáticas, culturais ou comemorativas em vias locais e residenciais não seriam infração, desde que fossem temporárias, feitas com tinta lavável, removível ou à base de água, sem prejudicar a sinalização de trânsito nem a circulação de veículos e pedestres. A liberação, no entanto, manteve restrições para avenidas, vias de grande circulação e cruzamentos.

Depois da publicação da norma, o secretário municipal de Segurança Pública, Weber Januário, tentou explicar a mudança de orientação em entrevista à Rádio JM. A manifestação ocorreu após ouvintes relatarem que haviam recebido informações da própria Prefeitura de que poderiam ser multados caso fizessem pinturas nas ruas. Weber afirmou que a fiscalização vai ocorrer e que agentes deverão verificar o tipo de material usado nas intervenções. Segundo ele, pinturas feitas com tinta permanente ou que causem dano ao asfalto poderão gerar responsabilização.

A controvérsia também chegou à Câmara Municipal. Cléber Júnior, que deu início ao debate ao publicar o vídeo com as bandeiras pintadas nos buracos, apresentou projeto para permitir que sanções administrativas leves sejam convertidas em medidas educativas e ações comunitárias. O texto não libera automaticamente pinturas em ruas, mas pode alcançar infrações de baixo impacto previstas no Código de Posturas.

Agora, com os buracos tapados e as bandeiras apagadas, o caso volta ao ponto de partida: a cobrança por manutenção do asfalto. A diferença é que, entre a crítica inicial e a execução do tapa-buracos, a discussão abriu uma crise de comunicação no Município, obrigou a Prefeitura a regulamentar uma prática popular de Copa e expôs divergências entre as orientações repassadas à população e a posição oficial adotada depois da repercussão.

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