Sob orientação do ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro afirma que vai vetar o reajuste dos servidores públicos. Nesta manhã, presidente e ministro cruzaram a pé a Praça dos Três Poderes até o Supremo Tribunal Federal (STF) para uma reunião de urgência com o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. Após a reunião, eles falaram à imprensa.
Falando depois de Guedes, que mais uma vez manifestou que o funcionalismo público dê sua "parcela de contribuição" durante o enfrentamento da pandemia, argumentando que os servidores têm estabilidade e salários acima dos pagos pela iniciativa privada, o presidente admitiu que vetará o trecho do projeto de auxílio a estados e municípios aprovado na última quarta-feira no Senado, que exclui profissionais da proibição de reajustes de salários por 18 meses. “Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes na economia”. O presidente argumentou que a proposta original do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, era cortar 25% dos vencimentos do funcionalismo. “Paulo Guedes decidiu que podia ser menos drástico”, disse ele.
“Certas medidas minhas não agradam o setor de cidades, mas eu sou o chefe do Executivo para tomar decisões. E as decisões que eu tomo ouvindo os meus ministros. Nessa área, o Paulo Guedes é o senhor da razão, nós, se essa for a orientação dele, vetaremos esse dispositivo”, ratificou o presidente. Segundo os cálculos de Guedes, os montantes economizado com a proibição de reajuste do funcionalismo somam 130 bilhões de reais, “utilizados para estender programas sociais e salvar vidas”.
Na reunião com Toffoli no STF, Bolsonaro e Guedes apresentaram a realidade da economia no país, relatada por empresários. Bolsonaro argumentou que “dez milhões de empregos formais deixaram de existir” e que muitos informais estão sobrevivendo com o auxílio emergencial de 600 reais pagos pelo Ministério da Economia para este contingente. A reunião foi transmitida ao vivo pelas redes do presidente.
*Com revista Veja