Defesa aponta supostas falhas em provas digitais e cerceamento de defesa e pede novo julgamento do processo
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou uma nova revisão criminal ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender a execução da pena de 27 anos e três meses de prisão e anular a condenação no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado. O pedido foi encaminhado ao ministro Kassio Nunes Marques, que já relata uma revisão criminal anterior apresentada pela defesa.
Os advogados também pedem que a condenação seja anulada e que um novo julgamento seja realizado. Entre os argumentos apresentados estão supostas falhas na cadeia de custódia de provas digitais, cerceamento de defesa e questionamentos sobre procedimentos adotados durante as investigações.
Como um dos elementos apresentados na nova ação, os advogados anexaram um parecer técnico sobre provas digitais utilizadas no processo.
Segundo a defesa, haveria problemas na preservação e na documentação de parte dos arquivos, o que dificultaria a verificação da origem e da integridade dos dados apresentados durante a ação penal.
A cadeia de custódia reúne os procedimentos destinados a registrar como uma prova foi obtida, preservada, analisada e apresentada no processo. A defesa sustenta que esses procedimentos não teriam sido suficientemente observados em relação a determinados materiais digitais.
Os advogados também alegam que não tiveram tempo suficiente para analisar parte das provas e questionam atos praticados durante a investigação.
No novo pedido, a defesa solicita a retirada das provas que considera ilícitas e a anulação dos atos processuais que dependam desses elementos.
Caso os pedidos sejam acolhidos, os advogados querem que seja realizado um novo julgamento sem a utilização das provas questionadas.
A defesa também pediu que Nunes Marques permaneça responsável pela análise da revisão criminal, alegando que ele já é relator de outro processo apresentado anteriormente para contestar a condenação.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que apurou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Atualmente, ele cumpre a pena em prisão domiciliar humanitária. A medida foi concedida pelo STF em março de 2026 e posteriormente mantida, com restrições e uso de tornozeleira eletrônica.
A nova revisão criminal ainda será analisada pelo Supremo. O pedido de suspensão da execução da pena também depende de decisão judicial.