OPERAÇÃO CAÇA-FANTASMAS

Câmara não recebeu denúncia de “rachadinha” ou servidores fantasmas em outros gabinetes, diz Ismar

Larissa Prata

Larissa Prata
Publicado em 02/09/2026 às 11:23Atualizado em 02/09/2026 às 11:33
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Desde que as investigações da Operação Caça-Fantasmas avançaram sobre o gabinete do vereador Almir Silva (Republicanos), uma versão passou a circular com frequência nos bastidores políticos: práticas semelhantes às atribuídas ao parlamentar pela Polícia Civil e Ministério Público, como a manutenção de supostos servidores fantasmas e eventual divisão irregular de salários, não seriam exclusividade de um único gabinete da Câmara Municipal de Uberaba. Até agora, porém, nenhuma denúncia nesse sentido foi formalizada junto à Presidência do Legislativo.

O assunto foi tratado nesta quarta-feira (2), durante entrevista do presidente da Câmara, Ismar Marão (PSD), e do diretor-geral da Casa, Rodrigo Souto, ao Pingo do J, da Rádio JM. Questionados sobre versão apresentada por pessoas ligadas a Almir indicando que ele estaria sendo transformado em “bode expiatório” e que situações semelhantes ocorreriam em gabinetes de outros parlamentares, inclusive com referências a “rachadinha”, servidores fantasmas e assessores que registrariam presença sem permanecer no trabalho, Ismar declarou que tais denúncias não chegaram oficialmente à Presidência.

Ismar revelou, entretanto, que a direção da Câmara já havia tomado conhecimento, na semana anterior à prisão de Almir, de comentários feitos por um servidor de gabinete sobre supostas irregularidades dentro do Legislativo. A providência adotada, segundo ele, foi chamar o funcionário e oferecer a oportunidade para que as informações fossem transformadas em uma denúncia formal.

“Semana passada nós ficamos sabendo que tinha servidor de gabinete com esses comentários. Eu procurei o Rodrigo Souto, falei: ‘Rodrigo Souto, chama o servidor, pergunta se ele quer fazer uma denúncia para o senhor e nós vamos tomar providência’”, afirmou Ismar.

A denúncia, contudo, não veio. “Até a presente data, não”, pontuou o diretor-geral da Câmara.

O episódio expõe uma diferença importante entre o que circula politicamente nos bastidores e o que efetivamente chegou à instituição para apuração. Até esta quarta-feira, segundo Ismar, a Presidência não recebeu denúncia formal que aponte a existência de esquema de “rachadinha” ou de servidores fantasmas em outros gabinetes nos moldes das suspeitas investigadas no caso de Almir.

A defesa constituída de Almir também não adotou publicamente essa linha na primeira manifestação após a prisão. O advogado Jacob Estevam de Oliveira afirmou nesta quarta-feira que considera as medidas impostas ao vereador “excessivas” e que pretende questioná-las pelos meios legais cabíveis, mas não mencionou perseguição nem atribuiu irregularidades a outros integrantes do Legislativo.

Problemas de jornada já haviam sido identificados

Ainda ao Pingo do J, Ismar Marão revelou que a própria Câmara já havia identificado, cerca de dois meses antes da operação desta semana, assessores de gabinetes que não estariam cumprindo as exigências de jornada estabelecidas pela legislação.

Segundo o presidente, o setor de Recursos Humanos levou a situação à Procuradoria da Casa e, após manifestação jurídica, os vereadores foram alertados de que a responsabilidade pelo acompanhamento da jornada dos assessores parlamentares caberia a cada titular de gabinete.

O presidente explicou que a administração controla diretamente a frequência dos servidores lotados nos departamentos da Câmara, mas encontra uma realidade diferente nos gabinetes, inclusive porque assessores podem exercer atividades externas. Nesses casos, cabe ao vereador justificar e responder pela jornada da própria equipe.

O fato de terem sido identificadas inconsistências de jornada em outros gabinetes, porém, não equivale à existência de servidores fantasmas ou de “rachadinha”. Até agora, não há informação de que a Câmara tenha apurado, nesses outros casos, recebimento de salário sem prestação de serviço ou devolução de parte da remuneração a parlamentares.

Em fevereiro deste ano, um dos inquéritos foi concluído com 18 pessoas indiciadas. Posteriormente, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Almir e outras quatro pessoas em um dos núcleos da investigação, apontando a suspeita de que assessores teriam recebido recursos públicos sem a correspondente prestação dos serviços. O prejuízo calculado pelo MPMG nesse núcleo supera R$ 636 mil. 

Até que surjam denúncias concretas envolvendo outros gabinetes, portanto, a afirmação de que práticas semelhantes seriam comuns entre vereadores permanece no campo das alegações e dos comentários de bastidor — e não de fatos formalmente apresentados à Câmara para investigação.

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